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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Invento-te...



 Invento-te nas manhãs claras
que ainda dormem em sonhos liquefeitos.
 Arredondo os braços
 que procuram as noites
 também inventadas à procura de outro tempo.
O manto da minha pele
 cobre os segredos proibidos de uma casa que não é tua!
E o meu peito é agora um planalto
onde as nascentes secaram
matando de sede todas as flores por nascer...
Não nasceram flores, nasceram cactos,
continentes de água,
 que guardam as flores esquecidas do meu jardim.
E invento-te nos lábios das ondas
que pronunciam o teu nome embrulhado
na espuma branca da lua.
Inventar-te-ei ainda
quando o nevoeiro te esconder
 no regaço da noite onde me deito,
neste vapor de água de que é feito
para te sentir
mesmo sem te ver...

                         Manuela Barroso, " Eu PoéticoIII "

                                                                                  

6 comentários:

Luna Sanchez disse...

Manu,

Eu tenho me dedicado sempre e muito, nos últimos tempos, à arte da invenção. Quem me dera não fosse preciso...

Beijos, querida minha, muitos, cheios de carinho.

mfc disse...

Inventamos e sentimos real a nossa invenção... tal como Pessoa ao referir-se ao Poeta dizendo que é um fingidor!

Menina no Sotão disse...

"inventar-te-ei ainda"... Adoro o som que me alcança a partir da ilusão que esse verso me permite. "quando o novoeiro te esconder no regaço da noite onde me deito" e por fim me deixar possuir por esse sentimento noturno onde o sonho me permite ainda mais...

bacio carissima

Leninha disse...

Manu muito amada,inventas um poema,sentimentos e flores,em cactus
transformadas,no jardim mágico de tua imaginação.E nos conduzes por teus caminhos em busca de um mundo
imaginário,de sonho,ternura e magia.

E invento-te nos lábios das ondas
que pronunciam o teu nome embrulhado
na espuma branca da lua.

Bjssssss ternos e muito carinho,
Leninha

tecas disse...

Querida Manelinha, que delicia de poema. Nas mais suaves e ternas palavras: «E invento-te nos lábios das ondas
que pronunciam o teu nome embrulhado
na espuma branca da lua.»
Como as flores que nascem num belo jardim,este poema, nasceu na alma.
Parabéns, querida amiga.
Bjitos amigos e uma flor.

O meu pensamento viaja disse...

Manuela, que bom receber os seus comentários, apesar do boicote do google.

Dizer que este poema é lindo, é banal, tão banal como declarar a redondez da terra.
Não faço isso.
O que garanto é que me demorei, que o saboreei, que procurei esventrá-lo...Esse "outro" sempre, alguma vez, nem que fosse apenas única, existiu (existe?) na vida de cada uma de nós.
É uma mensagem de um emissor feminino, assim o leio.
As palavras são exatas, um puzzle perfeito.
Muito bom.
Beijo
Nina