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segunda-feira, 26 de maio de 2025

Maio

 




Traz as cerejas no colo da tarde.
quero o deslumbramento das cores de maio
 numa fogueira azul onde o vento
me traz anjos de nevoeiro
 e cotovias com sede do restolho.
 
 Cinge flores no chapéu dos lírios
e cobre a neve da inocência tardia.
É que o sol vai subindo.
Não tarda vai crestando a seda das rosas
 pingando lágrimas no pino do  meio dia.



Manuela Barroso

(reeditado)

segunda-feira, 19 de maio de 2025

No olhar

 

Imagem da net



No olhar doce que enche a moldura
de ouro, de sorriso ambíguo, insistente
fixo Mona Lisa, esta imagem que perdura
enigmática na alma da gente

um não sei quê de estranho nos apela
para o mistério que sempre existe em nós
e rejeitamos. No íntimo algo nos interpela
ignoramos esta espécie de voz

continuamos percorrendo nosso caminho
indiferentes a esta luta inconsciente
e indiscreta. Se afinal não há destino

para quê dar ouvidos a insignificâncias
quando o importante é racionalmente
estabelecer o equilíbrio das distâncias?


Manuela Barroso

sexta-feira, 9 de maio de 2025

Na poeira

 


 


 
Na poeira lê-se o tempo que corre parado
na exatidão do espaço
que espera algures, em lugar nenhum.
A respiração atravessa as folhas e os pulmões das pedras
no musgo rarefeito.
Os raios aquecem os néctares que pernoitam nos lábios
de todas as paisagens.
A luminosidade vagueia plana no coração da Terra
anunciando a alegria de estrelas azuis.
Nos ninhos aquecidos de peitos maternos,
dormem ondas de amor nas marés do coração.

Porque não sorris com a translúcida cor dos olhos dos lírios?
Arruma as angústias,
sacode a poeira que embacia o teu Agora.
Há muito tempo que o sorriso é a muralha
que guarda a fortaleza no poema da tua alma.


Manuela Barroso
Imagem da Net

domingo, 4 de maio de 2025

Mãe-Rio de Afectos

                                                           Feliz Dia da Mãe!






Hoje acordou-me o rio de todos os afetos.

Espreguicei-me nos limos suaves,
numa placenta morna protegendo-me  dos ímpetos
do bico dos peixes no voo das águas

Toquei a minha pele, nas entranhas, onde
as sensações se disfarçam nos mistérios
da vida.
Memórias do inconsciente nas horas brancas
em que te embalava  no meu seio.
Permaneço ainda deslizando sombras maternais
no regaço que nunca arrefece

Tenta demolir as pedras do abrigo materno!
Jamais apagarás os alicerces da
cidade que mãe construiu em ti.

Tu, mãe,
fonte de todas as sedes, onde morrem todas
as ânsias e todas as saudades, que vozes te
segredam  a ausência de ti?
Que sangue perfuma a transparência da tua alma?
Que pedra constrói o monumento da tua coragem?

Tu, que és mãe,
semeia de branco as constelações  que fazes nascer
no perfume das velas, na constância  permanente                                     
do teu amor incondicional.                                                                     
Tudo  de ti vem, em ti nasce, afinal.

És tudo em todos
numa dimensão desigual



Manuela Barroso, in “Laços”-Dueto- Versbrava Editora

 







sexta-feira, 2 de maio de 2025

Se vires nascer flores...

 


 Christian Schloe




Se vires nascer flores nos espinhos das rosas
não estremeças o teu olhar
queima as pétalas no cálice da tua alma
faz com elas incenso do teu altar. 
E respira  
deixa  que o aroma  ecoe em  nuvens doces  de beijos.
Não corras atrás do fumo, deixa que voe
na pele mansa do lago. São nenúfares em cortejos.
 
Se vires um rebanho de rolas, rasgando a penumbra dos pinheirais
são cordas de anjos à solta  em harpas sonantes, de  voos celestiais.
E não te perguntes de onde vêm
aceita só a beleza que têm.

No ar estende-se o musgo dos dias. Fica.
Lê o verde do tempo, sorri com o encanto da vida.
Repousa quando o recolhimento do poente a isso te convida.


...

Manuela Barroso "Luminescências"