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sábado, 17 de julho de 2010

Entre-Mundos


Agora sinto-me assim. Dividida. Uma espécie de nostalgia que vem não sei donde nem sei como, mas que corrói lentamente este bocado de peito como um ácido que teima em querer ficar!

As paisagens da minha infância, alongam-se no tempo e fica apenas uma boneca de trapos perdida no espaço da vida.

Procuro fugir, recordando a majestade do arvoredo compacto dos meus espaços, mas as folhas largas dos plátanos transformam-se na minha mente em rochas impiedosas, compactas, duras e distantes , antes admiradas pela sua robustez granítica!

...E a imaginação vagueia...e fujo de mim própria!

Então, procuro refúgio, qual ovelha perdida, num sítio onde não seja fácil encontrar-me!

...E fico à espera que nasça um novo dia!

Boa noite!


segunda-feira, 5 de julho de 2010

NAS ONDAS


Parece que o calor vai fazer as suas férias entre nós.

Porque estará ele tão hesitante?Ora nos desidrata, ora nos refresca!Mas mesmo às vezes sendo pouco convidativo a longos passeios,dá-nos como opção o mar para pasmarmos pachorentamente, descansando os olhos no horizonte infinito, perdendo-nos na contagem das ondas caprichosamente enformadas como se fossem farófias...e rebentam na praia onde se deitam sensualmente, esperando as carícias dos acalorados ,famintos dos arrepios que elas proporcionam!

Mas nem tudo é tão azul, tão fresco, tão puro! No meio dessa mousse branca esconde- se uma garrafa de plástico (e muito mais...), que nos faz acordar do infinito e voltar à realidade!

E o que outrora fora uma forma feliz de enviar uma mensagem, tornou-se hoje numa mensagem triste dos nossos tempos!

...E voltamos a olhar o infinito,a contar as ondas e saborear o silêncio porque apesar de tudo o mar está à nossa frente e as ondas à nossa espera!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Mais além


O tempo vai correndo mansamente! Ora se passeia por entre os labirintos da nossa mente,perdendo-se na imensidão do nosso cérebro, ora fica entediado pela monotonia e parte a galope atrás do corropio desta vida , qual buraco negro onde se escondem o tédio ou a vertigem...

E nesta sensibilidade temporal, o nosso estado de alma procura adaptar-se a esta dualidade...

...E pensamos no tempo como uma existência objectiva, que nos condiciona com o tic-tac do relógio , escravizando-nos! E somos os "robots" que começam a fugir do próprio tempo!

Tempo...Aqui...Agora...

E depois?!

Os olhos ficam pregados ao Infinito tentando aquietar a alma faminta numa constante convulsão

linguística : Como? Porquê?Quem sou? O que sou?...E depois?

E a voz do silêncio eleva-se no segredo do peito, os olhos lêem o silêncio da alma...e é no silêncio que encontro o caminho que me leva à paz,à quietude,à serenidade...porque mais além estará algo inatingível que fará parte de mim e por isso me completa!

Porque somos parte do Infinito!


quarta-feira, 26 de maio de 2010

AMAR(RES)


Eterna fusão do amor, esta condição de amar!

Nestas múltiplas faces de afectos que devem unir toda a humanidade, confunde-so o amor com os amores! E se o amor faz parte do nosso imaginário adolescente, tantas vezes ora amargo ora inatingível, amar é viver para e com o outro!

Mas quer queiramos quer não, quando falamos em amor, nasce no nosso imaginário aquele primeiro olhar doce , meigo ,sedutor e inebriante do outro Eu que nós projectamos para além do tempo e quiçá do torvelinho que a vida nos vai tecendo...

...e conforme o relógio vai avançando, as memórias vão-se esbatendo, esfumando como núvens que não querem prender-se ao céu!

...mas a alma permanece viva,atenta, numa jovialidade quase pueril, quando as recordações batem à porta! E deparam-se todas as delícias que fazem da nossa mente um eterno salão de baile das nossas ideias! Mas os ideais...esses foram ficando presos ao fado que não pedimos para cantar!...

E ficamos presos a esse amor que nos tira uma parte da consciência, prostrando-nos, vergados

com o peso de tanto amar!

E ficamos sós, com uma auto-comiseração perante tanto afecto esbanjado!

E ficamos, por fim, rendidos a esta condição, por amar demais!

Mas eis que o Amar nos espreita, cansado de esperar por uma migalha que ainda exista no nosso

peito!

...e aí, nasce o Amor incondicional por todos e por cada um!

...aí nasce a verdadeira essência do Amor, porque espera pelo momento que ainda "sobrou",com calma, dignidade e paz! Sem ressentimentos nem explicações ...apenas recebe ,como a água fresca que inunda a lezíria da nossa alma!

E deixamos o torpor cego do amor que nos entorpeceu,envoltos numa concha!

E a lucidez da vida, vai-se encarregando da verdadeira tradução do Amor!

...porque ele é o rei dos afectos!

...porque ele é um filho do AMAR!