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domingo, 10 de fevereiro de 2019

Tanto Frio



Tanto frio lá fora.
Pelas fendas da tarde o piano travesso do vento
carregando neve invisível na intimidades das sombras.
Não adivinho a respiração das árvores nem os segredos
aquáticos das rãs. Mas sinto a solidão fria dos pássaros
que não vejo e as pálpebras maduras nas silhuetas  
abatidas  no recorte da noite.
Passos que pisam lençóis de geada na pressa
descompassada de seivas quentes no calor
do tecto e das asas.
Haverá sempre um lago morno em cada tempo
que agasalhe  o sono  para aí  desaguar e colher
a seguinte madrugada.

Manuela Barroso


9 comentários:

Roselia Bezerra disse...

Boa tardinha amena, querida amiga Manuela!
"Haverá sempre um lago morno em cada tempo".
Amei o verso recortado... vislumbrei o oásis do afeto da imagem linda em pleno inverno saboreado.
Felicidades e bênçãos para você!
Bjm carinhoso e fraterno de paz e bem
😘😘😘

Larissa Santos disse...

Gostei muito da publicação :)) Obrigada pela partilha!

Hoje:- Os nossos corações arrebatam-se num desejo {POETIZANDO...}

Bjos
Votos de um óptimo Domingo.


Graça Pires disse...

"Não adivinho a respiração das árvores nem os segredos
aquáticos das rãs. Mas sinto a solidão fria dos pássaros
que não vejo e as pálpebras maduras nas silhuetas
abatidas no recorte da noite. " Muito belo, minha querida Amiga!
Uma boa semana.
Um beijo.

Lua Azul disse...

Apesar do frio, o texto não arrepia, pelo contrário!
Bjo e boa segunda-feira!

Majo Dutra disse...

Também me preocupo com o destino dos pássaros
nas noite frias e nas de temporal...
Registo perfeito do desconforto provocado pelo
frio intenso. Um poema muito belo.
Terno abraço, querida amiga.
~~~~~~~~

Emília Pinto disse...

Tanto frio lá fora, muito frio também dentro de casas cujas " fendas " permitem que o vento entre e gele os corpos abatidos sobre colchões humedecidos por pingas teimosas que espreitam qualquer buraquinho para entrarem. São de " cinza as noites geladas, são de cinza os dias escurecidos pelas chuvas que não dão trégua. " Pássaros se escondem ou voam para outras paragens, pessoas apressadas caminham e se abrigam no aconchego de um lar aquecido, mas tantas outras tem como único refúgio o tecto da rua e aí se deitam, enroscando-se em trapos, tentando agasalhar o corpo, aquecer a alma, chamar o sono que teima em não vir. Para alguns, nunca " há um lago morno " onde banhem o corpo e aqueçam o coração já empedernido por tanta geada; há só a leve esperança de que a " nova madrugada " lhes traga o conforto da luz do sol e os pássaros voltem para amenizarem a sua solidão e alegrarem os dias sempre pintados de cinza.
Há muito não vinha aqui, a este Anjo que, apesar dos dias cinzentos, mantem sempre o seu azul suave, aquecenfo-nos com a sua bela poesia , mas nunca esqueço dele, Manuela, e aqui estou. Espero que, apesar do frio, estejas bem, com saúde, assim como os que te são queridos Um abraço carregadinho de amizade
Emilia

Jaime Portela disse...

Oxalá os "lagos mornos" não faltem por aí...
Excelente poema, como sempre.
Gostei muito.
Manuela, continuação de boa semana.
Beijo.

Manuel Veiga disse...

não há frio que resista ao "lago da ternura"
que emana teu universo poético

poema muito belo, Manuela.
gostei. deveras.

beijo, amiga

Teresa Almeida disse...

Na tua geada há calor e madrugada. E tanto sentimento!
Atravessas e colhes alimento poético. E eu sento-me à tua mesa.

Meu aplauso, minha amiga Manuela.

Beijos