SEGUIDORES

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Despem- se



 



Despem-se as árvores, veste-se o chão,
vestem-se os rios de madrugadas.
Despe-se o dia de tantas aves,
veste-se a noite de sombras caladas.
 
De alegrias te vestes, sorrisos mansos
olhos de sal, de tantas  gotas
as mãos se abrindo em amor e remanso.
 
Veste-se a boca de tanta ofensa 
monólogos longos em sobressalto
nos gritos que ditam sua sentença.
 
Vestem-se os ouvidos de tanta injúria
palavras loucas, voz sem espaço
no cristal que fere com a maior fúria.
 
Veste-se o sol de alegria,
e as madrugadas de fresco orvalho,
veste-se de penumbras e sombras o dia-a-dia
Assim é a vida: uma manta de retalhos.

Manuela Barroso


3 comentários:

chica disse...

Acompanhar cada despir e depois vestir da vida, cada ciclo...
Linda tua poesia tão bem inspirada!
beijos, tudo de bom,chica

Roselia Bezerra disse...

Amiga Manuela, boa noite de paz!
Seu poema tem um quê de beleza inigualável, com o frescor de uma noite de inverno gélido onde o vento sul com fúria corta o coração que explode em poesia.
Tenha dias abençoados!
Beijinhos fraternos

Emília Simões disse...

Boa noite Manuela,
Um poema muito belo, reflexivo.
A vida em constantes mudanças a todos os níveis e, cada vez mais, cheia de contradições.
O último verso define-a maravilhosamente como "uma manta de retalhos", em que viver é conviver com contrastes.
Beijinhos,
Emília