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quarta-feira, 13 de novembro de 2024

À Noite

 


 

As palavras deitam-se ao ritmo das horas incertas dos espaços mentais…
Os números do tempo aquietam-se no sossego e tranquilidade da noite.
Ouve-se um sussurro quente que mexe a roupa nos estendais…
O vulto de mim, aproxima-se da janela aberta que me abraça com a noite.
O ventinho morno convida para um “tête-à- tête”, na noite cálida.
Aceito.
O som continua cavo, vindo das profundezas do horizonte que já não lobrigo.
Tudo calmo.
Só um vento mensageiro de mistérios que se escondem nas esquinas esconsas da cidade.
A roupa continua a dançar no estendal, como num bailado de fantasmas…
…E o olhar perde-se por instantes, prendendo-se ao piar pegajoso das gaivotas.
Saboreio esta mensagem de ar, com as castanhas de S.Martinho.
Mistura de sabores que vagueiam no cérebro, onde dormem recordações…
…E a leitura da brisa começa a saber a arrepio, a saudades nocturnas…
Olhos que se deitaram no céu, perdiam-se agora em lembranças fugidias que o inconsciente teima avivar…
Uma espécie de “déjà vu” retira-me da janela que agora fecho com a alma dos olhos e empurro com as mãos.
Recolho o silêncio da noite e deponho-o no meu leito…
…é com ele que me deito!
 

                                       

Texto-Manuela Barroso

Imagem-Da Net

domingo, 14 de dezembro de 2014

Num dia de Inverno


 

 
O rosto do sol refletia-se no imenso oceano de luz, liquefeita na espuma das ondas rebeldes.
Tentava pousar o pensamento, aquietando-me nesta varanda donde tudo se expandia: terra e mar, deleite e beleza, serenidade e meditação.
Contudo, algo perturbava esta paz que queria desesperadamente agarrar como se fosse o único momento de deleite da vida, nestes minutos que o sol aquecia.
Queria agarrar todas as palavras que devolvessem a minha incapacidade de comunicar toda a paixão e envolvência. Uma espécie de luta entre o Eu e o pensamento, entre o espírito e a fragilidade humana, de um cérebro pequeno demais para tão grande exacerbação.
Parava e olhava o limite do horizonte, o fulgor deste prateado aquoso e a alegria sorridente do meu sol.
E a cortina longa pendurada no vento, dançava com a música dos meus olhos e o ritmo surdo, ruidoso e atrevido das ondas longas e gigantes do mar da Ericeira
Mais um olhar e perdia-me neste vai-e-vem deliciosamente inquietante, donde me ausentava e perdia por segundos como se fosse uma miragem.
Deixei o sol, a caminho dos subúrbios do poente, enquanto a vidraça aquecia a mão fria do inverno.
Eu, fechei os meus dedos, apertando as palavras, onde também batia o coração.
Nele sentia agora também a repercussão das cintilações e do bailado do Universo.
 
Manuela Barroso
     Dez. 2014