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Despem-se as árvores, veste-se o chão,
vestem-se os rios de madrugadas.
Despe-se o dia de tantas aves,
veste-se a noite de sombras caladas.
vestem-se os rios de madrugadas.
Despe-se o dia de tantas aves,
veste-se a noite de sombras caladas.
De alegrias te vestes, sorrisos mansos
olhos de sal, de tantas gotas
as mãos se abrindo em amor e remanso.
Veste-se a boca de tanta ofensa
monólogos longos em sobressalto
nos gritos que ditam sua sentença.
Vestem-se os ouvidos de tanta injúria
palavras loucas, voz sem espaço
no cristal que fere com a maior fúria.
Veste-se o sol de alegria,
e as madrugadas de fresco orvalho,
veste-se de penumbras e sombras o dia-a-dia
Assim é a vida: uma manta de retalhos.
Manuela Barroso

Acompanhar cada despir e depois vestir da vida, cada ciclo...
ResponderEliminarLinda tua poesia tão bem inspirada!
beijos, tudo de bom,chica
Amiga Manuela, boa noite de paz!
ResponderEliminarSeu poema tem um quê de beleza inigualável, com o frescor de uma noite de inverno gélido onde o vento sul com fúria corta o coração que explode em poesia.
Tenha dias abençoados!
Beijinhos fraternos
Boa noite Manuela,
ResponderEliminarUm poema muito belo, reflexivo.
A vida em constantes mudanças a todos os níveis e, cada vez mais, cheia de contradições.
O último verso define-a maravilhosamente como "uma manta de retalhos", em que viver é conviver com contrastes.
Beijinhos,
Emília