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quinta-feira, 9 de abril de 2026

Quando

 












Quando te cansares do lago onde  
adormece o eco das sandálias, leva  
água nos bolsos.  rega a almofada  da lua
 
e frui da lentidão  opaca da luz
onde dormem os morcegos. sobrevoa
o cálice sonâmbulo dos narcisos 
 
onde o pólen é o anfiteatro interdito
à sede impaciente das fontes.
 E não te escondas na contraluz peregrina
 
da voz que ressoa nas mãos das árvores
e rios selvagens num incêndio roubado
à ansiosa inquietação do caminho que te resta.
 
Atravessas a orfandade da aragem muda
para deparares com a transparência fluida do etéreo.
 

Manuela Barroso 




2 comentários:

Graça Pires disse...

Sem palavras minha querida Amiga. O teu poema tão profundo e metafórico leva-nos ao sonho que transforma o mundo num local imprevisível e nos deixa indiferentes às sombras e nos fazem procurar a luz e o silêncio na "contraluz peregrina
da voz que ressoa nas mãos das árvores e rios selvagens" Tão belo! Tão inspirador!
Sente o meu abraço.

Valdo disse...

Me ha gustado esa manera simbólica de mostrar el umbral hacia el camino espiritual que lleva a la reconciliación. Encuentro valioso que hayas puesto eso simbólico en la luna, el lago y la luz.
Un abrazo.