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quinta-feira, 2 de julho de 2026

Sons

 




O teu som penetra na sombra dos bosques onde se 

difunde a harmonia. 

A tua luz côa-se pelo filtro espesso dos dedos da 

ramagem. 

Tudo se esquece neste vale onde a calma é o 

prelúdio da tua  música cujas notas penetram 

também no seio da terra. 

São ondas de êxtase acompanhando esta viagem 

no murmúrio do silêncio fresco que desperta as penas 

dos pássaros no terraço da manhã. 

A alegria esboroa-se no ar em poalha de reflexos de luz, 

na miragem de imagens ténues no jade do orvalho.

 

Cai o pano do olhar no veludo da erva vestida de vapores matinais. 

O aroma cresce por entre campos de amoras. 

 

Silencio o desassossego deste paraíso efêmero

e num sagrado deleite 

me distancio 

antes que outra sombra se deite.

E procuro outros vazios.



Manuela Barroso

 

 


1 comentário:

Toninho disse...

Imagem e poema em extase. Afunda-se no silencio da inercia dos movimentos entre ondas que emitem o som mágico da natureza em forma de paraiso, donde vem o deleite.
Maravilha Manuela este estado de poesia.
Bjs e paz com feliz fim de semana amiga.