quinta-feira, 21 de maio de 2026

Maio

 

                                                                

 Imagem -net



Fecho os olhos e percorre-me a música de maio.
É o êxtase inconfessável nos sons definidos e indefiníveis. 

É a cor divisível nas folhas e cambraias de flores,

no indivisível que se afunda na incapacidade cósmica 

que cinzela a perfeição. 

É o grito impotente de abraçar o abismo 

onde enterro a minha impotência. 

 

Uma enorme sensação de paz quase desumana, 

troca esta fome de alcançar o indivisível 

para morrer na alegria de estar aqui.

 

Abro então os olhos e sinto quão grande 

é a beleza deste cântico que sepulta a minha alma 

num leito verde e florido, num eflúvio  que abarca 

todos os sentidos e mata esta sede de abraçar os sons 

deste Poema feito Vida e Mundo, 

Terra e Flores e Pássaros .



Manuela Barroso, "Luminescências", 2019






1 comentário:

  1. Amiga Manuela, bom dia de Paz!
    Um lindo poema onde é enterrado tudo que não seja Vida.
    Muito bom e abençoado.final de maio.
    Tenha dias novos felizes e perfumados!
    Beijinhos fraternos

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