sábado, 14 de novembro de 2020

Abre a porta

               Duy-Huynh
Abre a porta.                                 
Ouvi -te nas grutas e em buscas dementes.
Ouvi a corrosão da tua insistência que atormenta o silêncio do meu sono e das noites que me pertencem.
Hoje trago-te a minha leveza invisível na poeira que se faz luto.
Trago-te a vingança de desatinos que o Homem volta a esquecer.
Abre a porta.
Agora é o tempo de acordar toda a Terra, cercá-la de sombras e acordar a afronta e a indignidade de usurpadores e déspotas que acorrentam vidas humanas e toda a criação, na ganância dos seus sonhos devoradores e bárbaros. Não são mais que simples sopros que se desvanecem no algodão negro das suas lucubrações efémeras.
Abre a porta.
Hoje trago a vingança dos morcegos no incêndio de noites moribundas. O meu ninho é o espaço esconso de ninguém. É o caminho deserto das sombras onde as moléculas navegam em desconhecidas constelações. Respeita-os
 
Só fecharás a porta, com a libertação da Terra e de tudo quanto nela habita.
Ela é o receptáculo que te embala, a corola que te sorri, acredita.

 
Manuela Barroso