domingo, 8 de maio de 2016

É dia




 Kamil Vojnar


É dia.
O jardim anoiteceu  e com ele as gotas
nas nervuras dos meus olhos.
Ilhas de bancos numa solidão invisível.
Pousam cintilações
nas asas noturnas de merlos amarelos.
Uma seda de ginjeira voa,
tece-se em arabescos e conchas de danças.
No ventre das tábuas solitárias
sentam-se memórias no abandono do silêncio.


Manuela Barroso