...e o Tempo se encarregará de mim...
sexta-feira, 14 de julho de 2017
terça-feira, 27 de junho de 2017
Mãe
Mãe
Branco está
meu pensamento.
Escorrego nas margens do dia,
divagando à tua procura e ainda
há pouco tua luz se acendia
O teu perfume trouxe- me aqui,
O teu perfume trouxe- me aqui,
a este
pedaço de chão onde nasci.
O teu caminho foi peregrinação da Cruz
que erguias cada dia na oração, e inquietação
de quem sente que há outro lugar, outra luz.
Mas branco…branco
é meu pensamento.
Na orfandade que ficou
levaste meu pensamento com o
vento que te levou;
Contigo, voou também a minha infância
a lembrança das tuas mãos, minha voz
e inocência de criança.
Agora é a noite que me vigia
a
solidão que me aconselha.
e o teu leme que me guia.
Branco ficou meu pensamento
Dorme, Mãe!
Mas enquanto eu na terra caminhar
dá-me de
ti, a tua luz
refresca-me os pés
como a mãe de Jesus o fez ao pé da cruz.
23 de junho, 2017
terça-feira, 23 de maio de 2017
Quando...
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no cais da minha madrugada,
arrasta-me na sombra das tuas águas
para um porto florido
no infinito das minhas noites.
Quero ser o vitral que emoldura os meus
tédios,
na verticalidade das suas misteriosas cores,
transportando o seu estranho vulto,
numa consciência ausente
onde murcham os jardins,
como uma floresta de silêncios.
E abrir-se-á uma porta por onde entram brisas
que se escondem de mim,
perfumando o salão da minha alma,
como grinaldas de primavera,
entoando alegrias orvalhadas,
num cortejo de violinos,
tecido pelos teus dedos.
E o teu vulto circunspecto,
distante,
amorfo
e frio,
permanece imóvel,
em lábios húmidos
que procuram a sedução
no silêncio das horas da tarde,
que vão descendo em cortejo luminoso,
de inquietantes intensidades de entardeceres.
Serei para sempre
o pórtico de uma metáfora,
escrita no inconsciente de uma alma
sedenta de sorrisos de estrelas,
em cortinados de tédios,
no claustro da minha noite,
que assoma no nevoeiro incógnito,
atravessando o cetim das tardes,
com sabor a noite, na saudade do infinito!
Manuela Barroso, "Inquietudes"- Edium Editores
Tela- Daria Petrilli
segunda-feira, 15 de maio de 2017
Noite
Escondes no
teu silêncio
o frio da
escuridão que se
dispersa
numa aragem erguida
nos braços
da incerteza.
Trazes a
chama da saudade
escrita nos
olhos da lua
e unes a
Terra e o Mar
numa Fusão
eterna de Mistério
escondendo-se
na espuma do tempo.
És o espelho
da Solidão,
a única
música que se ouve
na
profundidade da tua memória
e onde eu
queria divagar.
Entrego-te a
harpa deste
Silêncio que
guardo como
um sonho que
dorme,
inacabado, cansado
em meu peito.
Abandono-me na tua carícia serena
onde a Paz é
o Sono que me acorda.
És a fonte
que gorgoleja,
a sombra que
refresca o verão quente
das minhas
tardes.
E na
floresta das tuas sombras,
vibram as
imagens do passado,
escritas na
saudade errante
que vagueia
dentro de mim.
Manuela
Barroso, in “Inquietudes”- Edium Editores 2012
quarta-feira, 10 de maio de 2017
Acende as velas
Acende as velas da rua
o torpor silenciou a grafia do luar
Fantasmas de luzes
rastejam
na insónia das pedras
no abandono húmido do pó
É o deserto que guarda agora
os segredos destas ostras
ocas de solidão.
Dormem indefesas nas micas luzidias
em corais de saudade
são as pérolas do chão.
Manuela Barroso, in” Laços- Dueto” Editora Versbrava,
2014
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