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sábado, 26 de março de 2016

Páscoa

 A todos uma Páscoa Feliz e de Paz!

 
 

Se a Tua existência não sensibilizou o coração dos Homens
Que a Tua morte os desperte para o mistério da Vida.


Manuela Barroso
Páscoa de 2016

 
 
 
 
 
 

sábado, 12 de março de 2016

Os Olhos

 C. Ellger

Os olhos nasciam verdes na boca da noite
e tu
esperavas o sol da lua
no sorriso da água em flor
Acordaste os limos bordando rendas líquidas
na  transparência da tua presença distante
E o silêncio adormecia nos cerejais da noite
à janela fresca do luar
em sabores planos e plenos de fantasia

Não ouviste o som extenso e estridente das rãs
com tatuagens de estrelas no leito verde do lago 
embriagado de salgueiros que dormem a penumbra
nos beijos das rolas.

Ouço-te no compasso das metamorfoses
e nas asas gelatinosas dos caracóis
descendo
o vale
das folhas
em estradas
de goma branca

 Semeaste a calma na viagem livre
da luz selvagem
vagueando pelos cabelos lisos dos pinheiros
chorando resinas de saudade

 Na boca de pedra donde o gemido da água corria
ficaram as plantas da noite na serenidade espessa da luz
escrita na sombra enquanto a seiva dormia
 E
no chão burilado de estrelas
a minha paz se estendia!


Manuela Barroso, in "Talentos Ocultos"- Ediserv, 2014
                                                             

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Longe





Sabes, tudo fica longe demais!

O Espaço cresceu no Tempo com sede de todas as horas
Cruzam-se os ponteiros das árvores
com as asas das gaivotas ralhando com as marés
E o tempo das marés cola-se ao horizonte do Tempo
num espaço que só tem cor
É a cor de um tempo que morre nos lábios do mar
cercados de espaço

E tudo fica tão longe!

Lampejos longínquos visitam o tempo da noite
abandonando-se nos círculos do Tempo
em naufrágios de agonia
Rasga-se o véu da saudade de tão longa noite
que já foi dia.
Dói
porque fica longe
longe demais

Mas o tempo percorre o sal do rosto regado
com açúcares de alegria e torres brancas
no sorriso das ameias
sobranceiras à aldeia
Um espaço onde ecoam passos lassos
dos corpos sem memória
porque sabes,
tudo fica longe demais!

No precipício do Espaço [sem fronteiras] descem as vertigens 
em corvos de negro, no espaço das escarpas
que se vertem até ao abandono do leito
É íngreme e fica longe
E sem tempo de subir
Tudo é longo
Tudo fica muito longe,
longe demais!

Manuela Barroso, In “Laços” Versbrava


domingo, 24 de janeiro de 2016

Trago





Trago nos olhos a alegria da tarde.
Florescem violinos no silêncio harmonioso dos teus lábios
recortados pela suavidade da melodia.
Enfeito os cabelos de orvalho com grinaldas de glicínias
e atravesso densos juncais à procura do fogo do crepúsculo
consumindo-se na noite.
Quero a mão das estrelas sem lua.
Noite com velas.
Disperso-me na escuridão e quero o voo plano da águia
com saudade das alturas contornando o assombro dos abismos.

Manuela Barroso, "Eu Poético"




domingo, 8 de novembro de 2015

Acende as velas




 Casas de Xisto- Lousã

Acende as velas da rua
o torpor silenciou a grafia do luar
Fantasmas de luzes rastejam
na insónia das pedras
no abandono húmido do pó
É o deserto que guarda agora
os segredos destas ostras
ocas de solidão.
Dormem indefesas nas micas luzidias
em corais de saudade
 
São as pérolas do chão.
 
Manuela Barroso,  in “Laços- Dueto”- Editora Versbrava