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domingo, 6 de janeiro de 2019

Bulícios


Lavrei o chão com meus olhos,
abrindo caminho à tatuagem das
sombras.
No bulício da aragem,
ecos distorcidos morrendo aos poucos
no abismo das asas secas dos insectos,
mirrando no pó da paisagem.
Abri fendas,
desenhei água no colo das rãs,  colei palavras
na boca dos pássaros, reguei vermelho na pele
dos morangos.
Saltei com a juventude das andorinhas e cantei
com as cascatas atrevidas dos merlos.

Sentei meu pensamento na margem do regato 
e sorri com a flor que se  fez em mim.

Agosto, 2014

MBarroso

11 comentários:

Olinda Melo disse...


Uma comunhão perfeita com a natureza, num bulício de cores
e sons.

Que tenha passado um belo Dia de Reis, amiga Manuela.

Beijinhos

Olinda

Majo Dutra disse...

Uma linguagem lírica muito especial...
Lembra-me Miró...
Génios!
Abraço grande, querida Amiga.
~~~~

Larissa Santos disse...

Bom dia. Excelente poema e imagem...Adorei:))

Hoje:- Embriagada na saudade da distancia.

Bjos
Votos de uma óptima Segunda-Feira.

Graça Pires disse...

Abriste caminho à tatuagem das sombras, mas as palavras que escreveste estão cheias de luz… Magnífico poema, Manuela!
Uma boa semana.
Um beijo.

Lua Azul disse...

E assim, com o pensamento descansado, podem florescer mais poemas!
Boa semana!

Lua Azul disse...

Fazer parte dela é uma dádiva deste mundo, mas apreciá-la está reservado aos sensíveis. O poema exala frescura.
Bjo

Toninho disse...

Que lindo fechamento Manuela.
Pura sensibilidade da poesia.
Gostei.
Bjs de paz amiga e que a semana esteja boa e leve.

Mar Arável disse...

Muito trabalho dá florir assim
no despontar das palavras
Bj

Teresa Almeida disse...

És o bulício da aragem que, no passo, acaricia e colhe perfumes. E o teu verso vestiu-se de amarelo. Até o sol te inveja!

Beijos, minha amiga Manuela.

Manuel Veiga disse...

poema admirável, Manuela

que emerge do "chão que pisas" com a beleza das montanhas floridas e a força telúrica que alimenta teu universo poético.

gostei muito
beijo

Emília Pinto disse...

Depois desta quadra que passou onde o " bulicio" era muito e luz não faltava pelas ruas e prédios e, sejamos sinceros, também estavam mais iluminados os corações dos homens, aos poucos tudo está voltando ao normal, os " ecos " de tempos pssados, das vozes de pessoas agora ausentes , as " fendas feitas no coração muito mais fundas nestes tempos vão morrendo, ou melhor vão - se suavizando, vão sendo aceites; temos que seguir em frente, "sentando o pensamento " naquele " regato ", sorrindo à flor que , apesar do frio, flloresce para nos alegrar, desculpando aquele melro que, mal um solzinho aparece se delicia com a terra dos vasos da varanda., enfim..." lavrando a chão com os nossos olhos" e nele colocando as sementes que desejamos brotem neste novo caminho que começou. Cada instante há um novo começo, Manuela e é preciso sempre que uma sementinha caia agora para amanhã uma linda flor nascer. De instante a instante, tentemos sorrir, abraçar, amar e respeitar e assim conseguiremos momentos verdadeiramente novos.Há muito não aparecia, amiga, mas no meu coração estiveste sempre presente, mas, sabes como é esta época de Natal, confusão, mais trabalho e a tristeza muito maior, . Desejo-te muita saúde, querida amiga e que a vida nos permita que continuemos juntas e amigas como até aqui, um beijinho e boa noite
Emilia