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sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Era assim

Vladimir Kush

Era assim baixinho que queria escutar o vento.
Era assim devagarinho que queria flutuar nas 
asas do pó, na memória do tempo.
Era assim devagarinho que sonharia com um
barco que me levasse nos mastros, sem ouvir 
o cantar doce das águas na quilha.
Seria assim tão devagarinho, que o invólucro 
de uma lágrima de alegria me arrebatasse da 
divagação dos meus sonhos.
Seria mansamente, que ouviria não o sussurro 
das folhas mas a telepatia de uma voz, na ondulação 
do orvalho.
Os ciprestes perdem o equilíbrio das torres e o 
horizonte desfoca a ilha dos meus olhos.
Só o afago da levitação para uma bonança de luz.

Mas na respiração da noite, há unhas negras que 
se cravam na seiva branca dos Homens.

Manuela Barroso


13 comentários:

Roselia Bezerra disse...

Boa noite, querida amiga Manuela!
É bem assim devagarzinho que leio e saboreio seu poema com tanta doçura que me inebria o coração de verdade...
Ouço uma música lenta e fico na paz total...
Obrigada por este momento divinal.
Deus a abençoe muito!
Bjm fraterno e carinhoso de paz e bem

Rui Pires - Olhar d'Ouro disse...

Muito bonito estimada amiga Manuela.
Os meus parabéns!
Bom fim de semana.

Olhar d'Ouro - bLoG
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Olhar d'Ouro – yOutUbE * Visitem & subcrevam

Lua Azul disse...

Permita-me uma brincadeirinha: e que tal cortar as unhas que existem na respiração da noite? São elas que estragam tudo, mas nós podemos tentar minorar os seus efeitos... Sei que é difícil...
Bom fim de semana

Jaime Portela disse...

Há (quase) sempre um mas...
Poesia de excelência, minha querida amiga. Os meus parabéns.
Manuela, uma boa semana.
Beijo.

Gracita disse...

Querida Manuela
Suavemente vou sendo arrebatada por esta doçura que vem de tuas palavras e voo levada pelos alinhavos memoráveis de tua poesia
Te aplaudindo aqui
Beijos e uma semaninha maravilhosa

Graça Pires disse...

"Seria assim tão devagarinho, que o invólucro
de uma lágrima de alegria me arrebatasse da
divagação dos meus sonhos."
Tão belo, minha Amiga Manuela!
Foi devagarinho que li este teu poema fantástico e cheio de significado…
Uma boa semana.
Um beijo,

Suzete Brainer disse...

Querida poetisa,

Esta luminosidade da tua poética
me proporciona um mergulho no
universo das palavras, num ritmo
suave e também, transformador...
Este teu poema tem um sopro
filosófico de libertação, louvação
a esta luz de DNA divino, que a seiva
branca transcende a sombra das "unhas
negras" e eleva à alma na respiração da Poesia!

Estou feliz com a tua volta e a minha, para
este momento sublime de leitura aqui.
Grata, minha amiga!!
Beijinhos.

Teresa Almeida disse...

"Seria mansamente, que ouviria não o sussurro
das folhas mas a telepatia de uma voz, na ondulação
do orvalho."
E tua voz poética me arrebata, de mansinho. E me conquista como afago.
És "bonança de luz"!
Que prazer ler-te, minha amiga Manuela!

Beijos.

Toninho disse...

Belíssimo poema que na leveza nos leva aos caminhos
dos sonhos, que nos assediam e nos inspiram pela vida.
E assim nos coloca nos braços numa bela suavidade.
Lindo de ler e viajar Manuela. Gosto deste poetizar,
que nos encanta.
Bom fim de semana e que esteja bem.
Meu abraço de paz e luz.
Beijo amiga.

Manuel Veiga disse...

"Seria mansamente, que ouviria não o sussurro
das folhas mas a telepatia de uma voz, na ondulação
do orvalho" ...

Tão bonito, Manuela!

(qualquer palavra a mais iria perturbar)

beijo, minha amiga

Majo Dutra disse...

É um excelente poema...
Que tudo na vida aconteça devagar... devagarinho...
Estou desolada...
A Manuela publica um trabalho, desaparece e fica incontactável... enviei e.mail.
Desejo que tudo esteja a correr bem.
Abraço grande, querida Amiga.
~~~~

Agostinho disse...

Um bom naco de beleza, cara Manuela.
Em cada homem dorme a fera negra, peste que domina a humanidade. De medo.
Viajemos pois no azul das águas ao sabor das "ondas de orvalho" que a(s) vida(s) pede(m) o nosso afago.

Maria Rodrigues disse...

Maravilhoso poema
Bom fim de semana
Beijinhos
Maria
Divagar Sobre Tudo um Pouco