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sábado, 7 de julho de 2018

Não te direi



Não te direi nunca das pedras que se cravam no meu peito
Das rosas que nascem com o sangue das velas anoitecendo madrugadas
Nada te direi dos gemidos matando o sono que chamava pelas estrelas
Não te falarei dos cardos da infância da noite, chamando pelo vazio, no sossego das várzeas
Não te falarei da solidão dos braços cheios de ti na impotência do meu corpo
Não te falarei do enigma da tua presença no corpo que te dei, na alma que te sopraram
Dir-te-ei só que vivo sem saber que estou viva que morro cada dia que vou vivendo

E o fruto da minha carne será o cântico onde o meu colo ainda segura a vida.

Manuela Barroso




13 comentários:

A Nossa Travessa disse...

Tal como havia anunciado atempadamente acabo de publicar na «Nossa Travessa» o texto n.º 7 da saga É DIFÍCIL VIVER COM UM IRMÃO MONGOLÓIDE cujo título é Um chefe de esquadra à rasca. E podes crer que está mesmo…

Depois volto para comentar…

Maria Rodrigues disse...

Um poema sublime!!!
Obrigado por este maravilhoso momento.
Bom domingo
Beijinhos
Maria
Divagar Sobre Tudo um Pouco

Elvira Carvalho disse...

Intenso e doloroso.
Um abraço e bom domingo

Graça Pires disse...

Disseste tudo, Manuela. O desamparo de todas as desordens, o rosto consumido de esperar. E nenhuma bênção a perdoar a fragilidade do tempo junto aos olhos… Lindíssimo o teu poema!
Uma boa semana.
Um beijo.

Teresa Almeida disse...

E o teu colo alberga o deslumbramento e a dor do percurso. E libertas o teu mundo semeando a intensidade da palavra.

Beijos, querida amiga Manuela.

Rui Pires - Olhar d'Ouro disse...

Muito bonito estimada amiga Manuela!
Continuação de muito boa inspiração que nos maravilhe como bem nos habituou.
Bjs

Rui
Olhar d'Ouro - bLoG
Olhar d'Ouro - fAcEbOOk

Mar Arável disse...

Excelente
Um poema que fala por gestos
Bj

Ana Freire disse...

Saudade e nostalgia... numa combinação sublime, neste sentido trabalho, Manuela!
Um momento poético muito belo, e emotivo!
Brilhante, como sempre, Manuela!
Um beijinho grande! Votos de continuação de uma excelente semana... e fazendo votos, de que já se tenha recomposto, totalmente!...
Tudo de bom!
Ana

Gracita disse...

E é no fundo da alma que albergamos os sentimentos de frustração e impotência ante os mistérios da vida
Que poema deslumbrante comadre Manuela
Beijos e uma feliz semana e deixo votos de que esteja em pleno restabelecimento minha amiga

Manuel Luis disse...

Pelo que li nos comentários, ficam aqui os meus votos para que estejas bem de saúde.
Dir-te-ei que estou bem se souber que estás óptima.
Bjs

A Casa Madeira disse...

Poema que vem das profundezas da alma.
Boa continuação de semana.

Roselia Bezerra disse...

Boa tarde, querida amiga Manuela!
Senti a profundidade do poema desde o início com a imagem que o encabeçou.
Carregando o mundo no peito e sentimentos intensos pertinentes a isso.
Tenha dias felizes e abençoados!
Bjm fraterno e carinhoso de paz e bem

A Nossa Travessa disse...

INFORMAÇÃO
Tal como tinha anunciado acabo de publicar mais um episódio, o oitavo, da saga É DIFÍCIL VIVER COM UM IRMÃO MONGOLÓIDE que desta feita tem como título... "Empernanço de pestana"... Com este texto a acção entra de raspão na guerra colonial e ainda na ida do primeiro homem à Lua. Uma vez mais alerto para imagem que pode impressionar as/os mais sensíveis.


Volto depois para comentar.