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sábado, 16 de junho de 2018

Ainda cogito




Ainda cogito no esconderijo desta hibernação.

O som da flauta acorda o meu torpor.
Os galhos já se desprendem bebés em folhas tenras e inocentes,
dos ventos e beijos ardentes da canícula do sol.
É um espreguiçar doce;
os aromas contaminam a pele
e arrepiam todos os sentidos.
Ainda breves flores despontam do musgo
e os girinos passeiam por entre os limos flutuantes.

Que me banhem todas as estrelas na noite que se aproxima.
Que me dispa de tédio as línguas de sol
porque necessito de gritar 
que a alegria é o mastro dos meus dias.
Que me beije a chuva, muita chuva.
Quero navegar nos lagos largos da abundância
onde a vida se incendeia.

Hoje quero ser a rã que se espreguiça livre
por entre as flores orvalhadas da manhã,
colhendo  campestres inocências.
Já não tenho tempo para perder,
nem paciência.

Manuela Barroso, Eu Poético VII


15 comentários:

Elvira Carvalho disse...

Um lindíssimo poema Manuela. A vida é tão curta que não podemos perder tempo com coisas sem importância.
Um abraço e bom fim de semana

Majo Dutra disse...

Eu cogito e deslumbro-me com este poema
escrito com uma imagética tão emerada em
pormenor, que parece uma magnífica tela
bucólica... fragrante.
Beijinho.
~~~~
Ps- Onde posso adquirir este Eu Poético?
~~~~~~

Graça Pires disse...

Magnífico poema, minha Amiga Manuela! É um lindíssimo hino à Natureza e à Vida. Tem um fulgor imenso. Por isso dizes: "necessito de gritar que a alegria é o mastro dos meus dias". Tão belo!
Uma boa semana.
Um beijo.

Suzete Brainer disse...

Querida Manuela,

A poeta tem este dom mágico com as palavras,
uma tela da vida, a natureza no seu espetáculo
ritualístico de beleza, na pulsão generosidade,
que numa unificação de beleza encantatória com
o sentir lírico luminoso da poeta (eu poético),
a arte poesia foi construída, para que o tempo ficasse
neste instante de eternidade do essencial!...

Sou fã da sua arte poética, querida poeta.
Um feliz domingo na paz!
Beijinhos.

Emília Pinto disse...

Devemo preocupar-nos só com o " aqui" e o agora e não com o depois. Para quê pensar nesse depois? Não sabemos se o teremos e há que aproveitar este sol que começa a aparecer e este calorzonho que muito me aconchega. Temos muito pouco tempo para o fim do caminho e portanto eu também nāo tenho nem tempo e muito menos paciência para certas coisas que acho inúteis. Claro, estamos mais velhos e a velhice, amiga, assusta-me, por mais sábia qua achem que sou. E agor só , jpeço que a vida me dê mais uns mesinhos para ver nascer a minha netinha, a segunda. A Eduarda filha do meu filho tem 9 anos e o Lucas também dele com 11. Agora espero a Beatriz, filha da Marta, mãe pela 1a vez. Pelo menos já estou a viver um agora feliz, vendo a barriguinha da minha filha a crescer. Amanhã se verá. Curtamos o instante presente, querida amiga. Espero que estejas completamente recuperada e que o teu " cogitar " seja sempre sobre o quanto de bom cada dia te dá. Um forte abraço,
Emilia

Humberto Maranduva disse...

Que inquietação, minha querida Manuela! Fundamental é continuar a "cogitar", pois só existe o que é nomeado, quer seja através da nossa cinestesia mental, quer ainda por meio das projecções referentes, apoiadas na essência das imagens metaforizadas-metamorfoseadas pela semântica da nossa escripta conceptual. É que, como dizia Arquimedes, nada se perde nem nada se cria - tudo se transforma. Saibamos ser, não só os protagonistas dessa(s) transformações, mas também os arautos da(s) mesma(s).
Um abraço

Maria Rodrigues disse...

Manuela, maravilhoso poema.
Há que aproveitar ao máximo cada momento presente.
Bom domingo
Beijinhos
Maria
Divagar Sobre Tudo um Pouco

Manuel Veiga disse...

assim explode a poética palavra, que tão bem exerces!
"nos lagos largos da abundância", que a vida apenas em excesso se merece. e não há tempo a perder...

belíssimo, Manuela, gostei imenso.

beijo

Ana Freire disse...

Uma verdadeira celebração do encanto, e da inspiradora essência da natureza, este arrebatador e vibrante trabalho, Manuela... imbuído de uma impaciente e saudável, vontade de viver!...
Maravilhoso de ler, como sempre!...
Beijinho! Feliz semana!
Ana

Roselia Bezerra disse...

Bom dia, estimada amiga Manuela!
Preciso gritar que a alegria é o mastro dos meus dias.
Muito lindo todo poema!
Seja ricamente abençoada!
Bjm fraterno e carinhoso de paz e bem
🤗😗💙

Teresa Almeida disse...

Manuela, querida amiga, ergues na palavra uma extraordinária sinfonia dos sentidos.
Exaltas, saboreias e teces.
És poesia!

Beijos.

Jaime Portela disse...

Tempo perdido é vida que se não vive...
Magnífico hino à vida e à natureza. Senti-me rodeado pelos elementos que em criança faziam parte da minha alegria e me embebeciam (rãs, girinos, limos, aromas, etc., etc.). Sei que ainda existem, mas estão cada vez mais longe...
Parabéns pela excelência do poema.
Bom fim de semana, querida amiga Manuela.
Beijo.

A Nossa Travessa disse...

INFORMAÇÃO

Na Nossa Travessa já se encontra o texto n.º 5 a saga É DIFÍCIL VIVER COM UM IRMÃO MONGOLÓIDE. O título dele é “MAS QUE DEUS É ESTE?


Maria Rodrigues disse...

Manuela, passei para deixar um beijinho.
Maria
Divagar Sobre Tudo um Pouco

Smareis disse...

Boa noite Manuela!
Saudades minha querida. Andas bem sumida.
Palavras tecidas lindamente.
Que o mês de julho seja de muitas bênçãos em sua vida.
Abraços, beijos e sorrisos.
Uma ótima semana!