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sábado, 5 de maio de 2018

Mãe - Rio de afectos


 Mãe-Rio de afectos


Hoje acordou-me o rio de todos os afectos

Espreguicei-me nos limos suaves,
numa placenta morna protegendo-me dos ímpetos
do bico dos peixes no voo das águas

Toquei a minha pele, nas entranhas, onde
as sensações se disfarçam nos mistérios
da vida
Memórias do inconsciente nas horas brancas
em que te embalava no meu seio
Permaneço ainda deslizando sombras maternais
no regaço que nunca arrefece.

Tenta demolir as pedras do abrigo materno!
Jamais apagarás os alicerces da
cidade que mãe construiu em ti.

Tu, mãe,
fonte de todas as sedes, onde morrem todas
as ânsias e todas as saudades, que vozes te
segredam a ausência de ti?
Que sangue perfuma a transparência da tua alma?
Que pedra constrói o monumento da tua coragem?
Tu, que és mãe,
semeia de branco as constelações que fazes nascer
no perfume das velas, na constância permanente
do teu amor incondicional.
Tudo de ti vem, em ti nasce afinal.

És tudo em todos
numa dimensão desigual

Manuela Barroso, in “Laços”-Dueto- Versbrava Editora

10 comentários:

Elvira Carvalho disse...

Muito bonito.Gostei de ler. Já não tenho mãe, e também quando me lembro de quem sou e como sou, nunca me ocorre pensar na minha mãe, mas sim no meu pai. Não que a minha mãe não nos amasse ou nos maltratasse. Mas talvez influência da sua educação nunca soube demonstrá-lo.
Desejo-lhe um dia da mãe muito feliz.
Abraço e bom fds

Suzete Brainer disse...

Querida Manuela,

Um poema sublime e único...

Fiquei tão, tão emocionada com a leitura:
"Tu, mãe,
fonte de todas as sedes, onde morrem todas
as ânsias e todas as saudades, que vozes te
segredam a ausência de ti?"
Saio com o meu silêncio dorido desta saudade imensa
da minha mãe...

A tua poesia é arte sempre com um caminho que toca
ao coração.
Grata por isso, repito que é um privilégio
ler-te, Poeta.
Um final de semana luminoso e repleto de
momentos preciosos para ti junto com os teus!
Beijinhos.

Ps: Muito grata pela tua visita com o comentário
lindo e precioso para mim!...

Roselia Bezerra disse...

Olá, querida amiga Manuela!
Feliz dia de alegrias aí para você e as mães da sua família!
Um poema lindo onde a ternura jorra em forma dw versis2 sublimes... lindo demais!
Seja muito feliz e abençoada junto aos seus amados!
Bjm fraterno de paz e bem

Teresa Almeida disse...

E assim a vida nos define: "regaço que nunca arrefece".
E eu senti, profundamente, este rio em que correm todos os afetos. E uma âncora de amor incondicional a atravessar o poema. Tão belo!

Beijos, minha amiga.

Olinda Melo disse...


Querida Manuela

O seu poema é tão lindo e terno! Há nele passagens que me fazem sentir em casa e voltar para o regaço da minha Mãe.
"Permaneço ainda deslizando sombras maternais
no regaço que nunca arrefece".

Muito obrigada.

Bj

Olinda

Majo Dutra disse...

Voltei a citar este poema...
Gosto muito dele.
Tudo do melhor para vós
Beijinhos
~~~~

Graça Pires disse...

Um poema que me diz muito, que me sensibiliza, que me faz pensar.
Uma boa semana, Manuela.
Um beijo.

Manuel Veiga disse...

doce o nome Mãe.
"filha és/ mãe serás..."

gosto muito do poema, Manuela

beijo, amiga

Ana Freire disse...

Um poema muito belo, e tocante, Manuela... que não poderia assinalar melhor este dia tão especial...
Maravilhoso, este rio de afectos e emoções, que tão bem transpareceu do seu talento e inspiração...
Um beijinho grande, e um abraço super apertado!
Ana

Agostinho disse...

Belíssimo!
Mãe: ínício que se fez infinito.
Bj.