SEGUIDORES

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Acordas-me

 chistine ellger
  
Acordas-me com os teus gritos negros num
incêndio de saudade, Yaíza!
A memória insiste invadir o teu peito de lava
e o teu coração, de catos eretos, na alucinação do sol.


A tua brisa alísea permanece tatuada no acordeão
dos meus ouvidos.
Quero pernoitar na prisão das tuas correntes
nos reflexos da meia noite, desmaiando-se
nos novelos de espuma, na quietude branca do luar.

Anoitece, Yaíza, e no cetim da água da noite
és o fantasma que se funde no veludo negro do teu vestido.
Permaneces como impiedosa recordação
que fecunda de aromas doces as pedras virgens
que nascem ainda quentes do teu ventre.

Quero estender-te as mãos na manhã da tua areia
escrevendo o teu nome no meu corpo.
Serás da tua beleza a candeia
e eu, a saudade da tua lua cheia.


Manuela Barroso, in “Talentos Ocultos” – Editora Ediserv
(reeditado)

                                                                                   








10 comentários:

Rui Pires - Olhar d'Ouro disse...

A beleza absoluta na forma mais pura da escrita poética.
Os meus parabéns.
Bj

Olhar d'Ouro - bLoG
Olhar d'Ouro - fAcEbOOk

Odete Ferreira disse...

Reli, com a mesma emoção, este teu belíssimo poema.
Bjo, amiga

Mar Arável disse...

Sempre um prazer visitar o seu espaço

Teresa Almeida disse...

Ao acordar o poema ergue-se vestido de alvorada.
Tu apenas lhe estendes as mãos
e eu passo para respirar a tua extraordinária inspiração.

Beijinho, querida amiga.

Olinda Melo disse...


Olá, Manuela

Este poema sugere-me algo exótico como as "Mil e uma noites", areia do deserto, noites de luar, o Sol alucinado. O amor paira no ar e o coração bate nessa ansiedade.

Bj

Olinda

Emília Pinto disse...

O teu talento é sempre visivel em cada poema que nos dás a conhecer, mas o que te vai na alma na hora em que o compões está bem " oculto " nas maravilhosas metáforas que usas. Entendo....nem sempre podemos pôr a nu os nossos sentimentos mesmo que os tornemos públicos para encantamento de quem os lê. E o silêncio da noite, mesmo perturbado por ventos fortes é propício a que nos venham à mente recordações e, inevitavelmente as saudades; o sono foge assustado com tantas lembranças...de tempos idos, de desencontros, de pessoas que por nós passaram e que, por variados motivos , desapareceram e nós lá ficamos , fechados os olhos, esperando assim que ele volte e que, por fim, nos embale aquietando o nosso coração. Recordações são muitas e saudades também, querida Manuela. Um beijinho e obrigada por, de novo, nos teres presenteado com este poema.
Emília

Maria Rodrigues disse...

Maravilhoso poema!!!
Beijinhos
Maria de
Divagar Sobre Tudo um Pouco

Manuel Veiga disse...



como tu sabes cuidar da palavras, Manuela!
e como é belo teu Poema! entranha-se no esplendor das belíssimas imagens literárias, sendo difícil depois sair da magia de sua envolvência estética.

gostei muito.

beijo, amiga

Duarte disse...

Sem querer entrar na reiteração, tenho que expressar aquilo que me trasmites, com o que escreves, com tão belos sentimentos.
Se a reía sempre foi algo que foge das mãos, o corpo retém: maravilhoso! Numa riqueza de vocabulario distinguida e o uso da metáfora bordando elegância.
Versos plenos de sabedoria.
Abraços de vida, querida amiga

Ana Freire disse...

Mais um poema absolutamente sublime... para ler e reler, Manuela!...
Um verdadeiro bálsamo para a alma, que nos envolve da primeira, à última palavra...
Beijinhos
Ana