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quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Se



Se me perguntas porque o silêncio é  o meu ouvido
e o cantar do bosque é também, minha paixão
e o ruído das nascentes é  bálsamo que me embala
e a verdura dos fetos é  linguagem que me fala…

…dir-te-ei que a altura do cimento
a acidez da gasolina
a solidão em crescimento
a corrida vespertina…

…tiram-me a liberdade de correr
atrás das borboletas ainda
ter na alma o mundo todo
como quando era menina!


Manuela Barroso

15 comentários:

A Nossa Travessa disse...

Manuelamiga

Comes muito queijo; esqueces-te de ir à NOSSA TRAVESSA :-(._(:-(. Mas o Bandeira é um colosso :-):-)

Manuel Veiga disse...

As sociedades urbanas, como expressão do actual modelo de sociedade, estão, de facto, desumanizadas.

agrada-me, assim, de sobremaneira este Poema, que leio, na sua magnífica expressividade lírica, como um lamento e grito íntimo contra a dureza do "cimento" e a "solidão em crescimento!

gostei muito, Manuela

Beijo

Emília Pinto disse...

Se todos os poemas deixados aqui me encantam, este deliciou-me em especial, porque me levou aos meus tempos de infância, tempos em que o cimento não crescia em altura e a " verdura dos fetos" cercava as casinhas baixas permitindo-nos imaginá-los casinhas onde as bonecas dormiam em berços de folhas. E agora, o verde é pouco, a " acidez da gasolona " é muita e o ruido entra-nos casa adentro perturbando a nossa conversa com o silencio reparador depois da correria de pessoas que parecem desesperadas com o tempo que lhes parece ser sempre insuficiente. E SE nós temos saudades do nosso tempo de meninos, imagina o que sentirão as crianças de hoje, enclausuradas nestes blocos de cimento que não lhes permitem ser " meninos; são crianças que mal sabem o que é uma borboleta e nunca saberão correr por entre os abetos verdes. SE podemos recordar esses momentos, devemos dar graças à vida, pois, embora estejamos cercadas de cimento, temos as mossas memórias dos " ruidos das nascentes, das borboletas voando de flor em flor " e de toda aquela verdura em volta da nossa casinha, das amoras ladeando os caminhos de terra e que faziam as delícias das nossas brincadeiras; " gostas de amoras ?, então vou dizer ao teu pai que já namoras " e lá continuavamos nós comendo aqueles frutos silvestres carregadinhos de pó mas muito, muito saborosos. SE pudessem as crianças de hoje fazer isso? Seriam muito mais felizes. Querida Manuela, muito obrigada por este belo momento que me fez voar até aquela casinha simples da aldeia onde nasci e vivi e que se mantém de pé com as mesmas dificuldades daqueles que a construíram; SE aquelas paredes pudessem falar, teriam muitos casos felizes a contar, mas parede não tem essa capacidade, mas eu, quando a olho, tenho a oportunidade de reconhecer que lá fui uma criança a quem foi dada a oportunidade de ser menina, menina feliz, Beijinhos e um bom fim de semana
Emilia

Teresa Almeida disse...

Quem tem na palavra tanto ritmo e beleza, é porque ainda corre atrás de borboletas.
Fascina-me o teu voo poético.

Beijinho, minha amiga.

Gracita disse...

Olá minha doce amiga
Porque crescer é tão difícil?
Esta tua pérola poética me fez rememorar os tempos em que brincávamos sem nos preocupar com a desumanização que assola os grandes centros urbanos. Vivíamos livres como colibris a sugar os nossos folguedos e fantasias. Ah se tivéssemos hoje só um pouquinho daquela magia.
Beijos e uma feliz e abençoada semana

Graça Pires disse...

Olá, minha Amiga! Que poema lindo! é ao mesmo tempo uma "ode" à infância e uma denúncia daquilo que fazemos com este planeta que é nosso. Gostei imenso.
Uma boa semana.
Um beijo.

Roselia Bezerra disse...

Boa noite, querida Manuela !
Tenho visto borboletas e, pela beleza do seu poema , vejo que minha menina está cheia de vida em mim. .
Seja FELIZ e abençoada !
Bom de paz e bem

Suzete Brainer disse...

Olá Manuela,

Um poema belíssimo, que as palavras no voo transcende
os significados no transporte do tempo, e, na porta
da memória ecoa a imensa beleza de Ser criança, neste
sentir sublime libertário da alma!...
A imagem que acompanha é encantadora e no mesmo
respirar do poema.
Aqui estou através da ponte do espaço da querida Ana.
Há tempo que desejava conhecer o seu espaço, com o
tempo suficiente que a grande Poesia merece, numa leitura
com calma. O meu tempo disponível é atropelado e como
gostaria de poder disponibilizar de mais tempo para
estas leituras de espaços preciosos da arte poética
e literária.
Tentei seguir o seu blog e acusa erro 406, hoje aconteceu
comigo nos três blogs que eu visitei.
Voltarei em outro momento para ficar seguidora do
seu espaço precioso da arte poética.
Beijo.
Suzete.

Zilani Célia disse...

OI MANUELA!
ESTA BELEZA QUE EM TEU POEMA EVOCAS, REALMENTE, SÓ A VÊ QUEM TEM OLHOS SENSÍVEIS COMO OS TEUS, POETISA POIS, A RAPIDEZ COM QUE A VIDA ESTÁ SE DESLOCANDO, ESCONDE TODA ESTA MARAVILHA.
ABRÇS http://zilanicelia.blogspot.com.br/

Maria Rodrigues disse...

Ai que saudades do meu tempo de menina.
Um poema sublime!!!
Beijinhos
Maria de
Divagar Sobre Tudo um Pouco

Diana Fonseca disse...

Olá!!! :)

Se tens Facebook e queres dar a conhecer o teu blogue a mais pessoas, e conhecer outros também, adere a este grupo:

https://www.facebook.com/groups/126383254703861/

Beijinhos,
Diana F.

Rui Pires - Olhar d'Ouro disse...

Que linda mensagem em forma de poesia e como com pouco se consegue transmitir muito!
Adorei.
Um encanto!
Bjs

Agostinho disse...

Despertei no teu poema, Manuela.

Vi estrelas que riscavam o céu
e os meus olhos colavam-se a elas
na esperança que me levassem.
Menino eu.

Não levaram e chego a um redondo,
que eu sei.
E as estrelas também arredondaram,
são estrelas velhas, amarelas,
tão perto de negros buracos,
que arrastam para a matéria invisível.

Vêm-me dizer, agora, que há no céu de Saturno
a lua Encelado, um mar por navegar.
Mas como navegá-lo se me queimaram a nau
do Pinhal do Rei?

Belíssimo.
Bj.

Jaime Portela disse...

Tudo à nossa volta conspira para nos tirar a liberdade de correr atrás de coisas que gostávamos na idade da inocência. Restam-nos o "ruído das nascentes" e a "verdura dos fetos"...
Excelente poema, parabéns.
Bom fim de semana, amiga Manuela.
Beijo.

Ana Freire disse...

Mais um dos seus trabalhos sublimes, Manuela, que nos fazem viajar pelas memórias da nossa infância... estabelecendo uma ponte perfeita!...
Admirável, como sempre!
Beijinho
Ana