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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

O pensamento

 christian schloe
O pensamento evade-se numa chama volátil de impermanência.
Nem os caracóis resistem a este voo alado
que penetra na floresta dos sentidos.
Na poeira lê-se o tempo que corre parado na exatidão do espaço
que espera algures, em lugar nenhum.

A respiração atravessa as folhas e os pulmões das pedras,
no musgo rarefeito
Os raios aquecem os néctares que pernoitam nos lábios
de todas as paisagens
A luminosidade vagueia plana no coração da Terra
anunciando a alegria de estrelas azuis
Nos ninhos aquecidos de peitos maternos,
dormem ondas de amor nas marés do coração.


Porque não sorris com a translúcida cor dos olhos dos lírios?
Arruma as angústias,
sacode a poeira que embacia o teu Agora.
Há muito tempo que o sorriso é a muralha
que guarda a fortaleza no poema da tua alma.

Manuela Barroso, in "Eu Poético VI"


14 comentários:

Graça Pires disse...

Um poema intenso e cheio de imagens fantásticas. Gostei da ideia de arrumar as angústias e sorrir "com a translúcida cor dos olhos dos lírios".
Uma boa semana, Manuela.
Um grande beijo.

Manuel Veiga disse...

uma "orquestração" belíssima de cores, sons e imagens que nos elevam na metamorfose da paisagem no "ego poético" da autora e na partilha das emoções que tão bem desenha

gostei muito. Manuela

beijo

Mar Arável disse...

Uma paleta
a desbravar a complexidade do simples
Bjs meus

Diana Fonseca disse...

Olá!!! :)

Tens Facebook e gostavas de dar a conhecer o teu blogue a mais escritores? Conhecer outros espaços?

Então, adere:

https://www.facebook.com/groups/126383254703861/

Beijinhos, Diana.

© Piedade Araújo Sol disse...

Um poema que nos lembra a estação do outono, instrumentalmente escrito com a sensibilidade à flor da pele.
E sim o sorriso é sempre uma muralha que guarda o poema.
Obrigada pela visita!
Beijinhos
:)

Maria Rodrigues disse...

Um poema sublime!!!
Beijinhos
Maria de
Divagar Sobre Tudo um Pouco

Teresa Almeida disse...

Uma evasão poética de grande amplitude. Como se condensasses vários e belos poemas. Grande inspiração!

Parabéns, amiga.
Beijinho.

Elvira Carvalho disse...

Gostei de ler.
Abraço

Suzete Brainer disse...

A começar pela imagem escolhida belíssima, também
aprecio imensamente a arte surrealista Chistian Schloe.
O seu universo poético é fascinante, Manuela.
Um poema filosófico magistral. O pensamento, onda
vibracional a nascer forma-realidade. Também dele
nasce os sonhos.
Agora, vejo um poema no patamar expressivo de beleza
de sonho de todo poeta se expressar assim...
Meus votos de dias felizes!
Beijos.

Jaime Portela disse...

É verdade, as angústias ficam muito melhor quando arrumadas e ficamos mais leves depois de sacudir a poeira...
Mais um talentoso poema, parabéns.
Bom resto de semana, amiga Manuela.
Beijo.

Emília Pinto disse...

Como era bom que soubessemos sorrir, " sacudindo a poeira que embacia o nosso agora ", como era bom que fossemos capazes de " arrumar as angústias " numa gaveta bem lá no fundo do nosso coração, fechada " a sete chaves ", mas os pensamentos invadem-nos constantemente, uns a seguir aos outros sem que os possamos dominar; são livres, os pensamentos e, se alguns nos fazem sorrir, outros porém nos apertam o coração, trazendo a angústia que permanecerá até que um novo pensamento volte, desta vez, quem sabe, trazendo a luz do sol e a alegria
das estrelas azuis no firmamento anunciando um novo dia, um novo começo, mas, de certeza, novos pensamentos.Tudo será novo num provável amanhã e tudo é novo a cada instante do nosso agora e, se o pensamento que surge a cada um desses instantes nos sorri, tentemos aprisioná-lo por todo o tempo que esse instante nos conceder ; sabemos da " impermanência " do pensamento, conhecemos a " impermanência dos instantes e, portanto aproveitemos a permanência deste agora, deste aqui e deixemos que o sorriso nos invada. E é isso que te desejo, Manuela, que consigas afastar a angústia e que o sorriso seja uma constante em cada um dos teus instantes. Um beijinho, querida amiga e um bom fim de semana. Preciso de dizer que gostei? Não preciso! Mas...sorri ao ler-te
Emilia

Toninho disse...

Amo este seu talento em criar em imagens onde as figuras bailam. A junção de opostos na luminosidade translucida e este arrumar angustias é de muito poesia na sua melhor tradução Manuela.
Há uma elegância no seu poetizar, que nos encanta e faz aplaudir sua criatividade e inspiração acelerada amiga.
Grande abraço amiga.
Bjs de paz no seu lindo coração.

Agostinho disse...

Que belo voo a percorrer pleno e plano por paisagens impressoras.
E destes, enfim, fixas as marcas, os pés, em certezas da última estrofe.
Muito bom.
Bj.

Ana Freire disse...

Mais um poema fascinante, que nos encanta, com a beleza da sua inspiração, Manuela... um poema tão belo e sereno... que não deixa margem para quaisquer angustias, nesta deslumbrante paisagem poética... onde a alma se fortalece... a cada palavra...
Mais um pedaço de escrita admirável, Manuela! Parabéns!
Beijinhos
Ana