SEGUIDORES

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

 Claude Monet

As lezírias perfumavam a distância
no pequeno bago de arroz.

Enchia-se o vale de ti,
na aragem morna, procurando
o verde dos teus olhos.
Não pergunto onde tu estás.
Vejo-te em cada pupila de flor
que escuto.
E estás na sombra de cada pétala
que escreve a poesia do teu nome.
Procuro ouvir-te, atravessando os
charcos saltitando de vida.

O chão não apodreceu.

A vida é a “anima” da beleza
de Ser e Estar vivo.
Na aridez tórrida do deserto
no enigma do escorpião
no lodo do pântano
nos mosquitos em multidão
no oásis mais belo
...tudo está em comunhão

 Na lama senta-se a flor
num anfiteatro de folhas,
crescendo no capim,
onde se vai fechando a luz.
Pernoitam os insetos
ruminando a noite calada.
Tudo dorme.

Espero-te
no colo das minhas mãos
na ternura da madrugada.


Manuela Barroso
(reeditado)









17 comentários:

Duarte disse...

Fascina-me o modo como tratas a metáfora, dando à palavra esse encanto cujo significado enriquece.
Belo, muito belo. Muy bello!
Abraços de vida, querida amiga

Roselia Bezerra disse...

Olá, querida Manuela!
Fechou com chave de ouro tão belo poema...
Recortei os versos para mim para guardar no coração...
Tudo dorme e só o amor não...
Seja feliz e abençoada!
Bjm e paz e bem

Graça Pires disse...

"As lezírias perfumavam a distância
no pequeno bago de arroz."
O começo do poema anuncia logo que o que se segue é maravilhoso. Um poema onde ressalta a ternura dos teu olhar sobre outro olhar, a tua imensa e incomparável capacidade de ver o que é essencial...
Gostei tanto, Manuela.
Um beijo.

Gracita disse...

Tens a magia da poesia nas pontinhas dos dedos querida comadre e usa metáforas com uma propriedade tão peculiar e nos envolve nesta canção onde tudo adormece somente o amor permanece vivo e acordado
Maravilhoso minha querida
Beijos

Jaime Portela disse...

Um poema brilhante, do princípio ao fim.
Parabéns por tanto talento poético.
Bom resto de semana, amiga Manuela.
Beijo.

Ana Freire disse...

Simplesmente sublime!
Cada palavra sua, Manuela... uma verdadeira pétala... neste poema... que é mais uma maravilhosa flor, neste seu jardim...
Belíssimo trabalho poético!... Para ler e reler!... Muitos parabéns!
Beijinho! Desejando-lhe um feliz fim de semana!
Ana

Evanir disse...

Ás vezes, apenas precisamos ter calma e paciência.
Apenas por me chamar, por me dar um abraço quando me vê,
sorrir pra mim, são coisas pequenas...
Mas são as que realmente marcam..
Desejo de todo meu coração
um abençoado Domingo.
Uma semana de vitorias
Beijos no coração.
Evanir..
Sou grata pela sua amizade e carinho,
muitas vezes estou sem forças para fazer visitas .
isso tem me deixado de coração amargo.

Mar Arável disse...

Excelente revisitá-la
Bj

Emília Pinto disse...

E neste vale dito de lágrimas onde o chão nunca apodrece, se misturam estados de alma que nem sempre somos capazes de entender; tanto nos sentimos num oasis fantástico como de repente nos vemos enlameados , caidos num charco. A vida é a " anima da beleza de ser, de estar vivo ", mas também é a tristeza das ausências, das perdas, do que fomos e já não somos; procuramos a cada dia rever esse passado, essas recordações , visualizar determinados rostos que teimam em desaparecer da nossa memória, mas.... parece que não nos ouve a vida; ela segue com todos os seres viventes que, em comunhão, a acompanham. Tambem a nós só isso nos resta, segui-la, convivendo com este misto de emoções e contradições , tentando não escorregar nesta lama em que se têm transformado certos caminhos. As saudades são sempre muitas...de pessoas queridas ausentes, de momentos felizes que se foram, da nossa criancice e de tantos outros instantes que nos transformaram no que hoje somos, mas estamos aqui e poder esperar que o amanhã nos dê um lindo amanhecer é uma bênção. Esperemos, então, querida amiga , mesmo com muitas saudades. São metáforas belas que só tu sabes o que realmente significam, mas , como sempre, deixei que a minha alma sentisse e lhes desse um sognificado. Obrigada, Manuela e um forte abraço
Emilia

A Casa Madeira disse...

Olá Manoela esse seu poema junto com o quadro
de Monet soa a vida do ser e estar vivo como
dizes no teu poema.
Pra mim soou como uma música nessa entrada de primavera em
que estamos.

Obrigada pelo complemento no post da casa; e o chá das
5 bem Português k. Estava a espera de alguém se pronunciar k.
Fiquei imaginando o que eram as xícaras e os bulês dessa notável
senhora;
Boa semana.
Abraços.

Maristela Guilherme disse...

Lindo poema.
bjs

Maria Rodrigues disse...

Maravilhoso poema!!!
Beijinhos
Maria de
Divagar Sobre Tudo um Pouco

Jaime Portela disse...

Gostei de reler.
Mas vim à procura de mais...
Continuação de boa semana, amiga Manuela.
Beijo.

Mariazita disse...

Para início de conversa... gosto imenso de Monet. É um dos meus pintores preferidos.
O teu poema... é uma beleza de princípio ao fim.
Não me satisfez lê-lo apenas uma vez, tive que reler.
PARABÉNS.

Bom Fim-de-semana
Beijinhos
MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

Teresa Almeida disse...

Um poema grandioso e terno.
Bela inspiração, minha amiga!

Beijinho.

Toninho disse...

A vida é "Anima" e vai alem de tudo que se pode perceber.
Que lindo Manuela, que arte bela cheia de elegância poética.
Belo sentimento que inspira pelo perfume que exala.
Aplausos sempre querida amiga.
Que a semana esteja a fluir belamente.
Beijos de paz.

Agostinho disse...

O poema começa de forma admirável: os dois primeiros versos, de per se, valem o poema.E abrem caminho à procura dum Ser (amado-supremo?) no confronto com a natureza observada e, quando menos se espera, a Poeta rompe o tom de forma violenta com o verso "o chão não apodreceu". Recomeça numa outra toada afirmativa que culmina no fecho das duas estrofes seguintes, imbuída de forte convicção: "tudo está em comunhão" e "tudo dorme" para se constituir finalmente como receptáculo.
Muito belo, Manuela.