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terça-feira, 13 de junho de 2017

Nesta noite



Nesta noite com medo das estrelas
onde o vento insiste calar minha voz
penetro a bruma tentando mantê-las
no meu quarto quando falo contigo a sós.

Tento decifrar esta  ventania
através da janela que olha para mim
deixando escorrer as gotas vadias
que caem nos meus olhos e me falam assim:

Sou pinga de água doce, insípida
arrastada pela aragem vagabunda
mas quando em descanso me torno mais límpida.

Não procures o brilho nem a  vã loucura
da luz que ilumina mas logo se afunda                  
no pó  dos hipócritas... lama insegura.


Manuela Barroso, "Eu Poético"





14 comentários:

Elvira Carvalho disse...

Um excelente soneto amiga Manuela.
Um abraço

Emília Pinto disse...

E a noite chega depois de um dia, sem falta, promessa feita com a mãe natureza; são inseparáveis o dia e a noite e lá seguem na sequência que lhes foi ditada sem se importarem se os sentimos, se os vivemos, se os admiramos; isso a nós compete! " Nesta noite " as estrelas não estavam lá no céu escurecido por alguns trovões que se fizeram sentir, pelos pingos grossos de chuva que cairam, mas, podemos sempre imaginá-las junto a nós e a elas desabafarmos o que nos inquieta; elas estão lá sempre, mas acho que, como nós, às vezes, têm vontade de se esconder e assim não terem de " decifrar " aqueles sinais complexos que lhes tentam transmitir as rajadas de vento; na noite, nesta ou em qualquer outra, estrelada ou escura, tranquila ou atribulada o silencio que se faz sentir torna tudo mais " límpido ", mais claro na nossa mente e achamos ser esse o cenário ideal para obtermos as respostas a tantos porquês, mas...lá passa a noite, a chuva acaba, o vento silencia, o sol ilumina o novo dia e, quando abrimos a janela dá vontade de a voltarmos a fechar...nada mudou... a lama continua lá. ..." insegura " neste mundo de " loucura " .Procuremos sempre, mas...não esperemos grandes mudanças. Que nesta noite, querida Manuela, o sono te chegue sereno preparando-te assim para o novo dia de paz e saúde. Um grande abraço
Emilia

Ana Bailune disse...

Boa tarde!
Simplesmente maravilhoso!

Majo Dutra disse...

Belíssimo e valorizado por profundo significado ético!
Gostei muito, estimada Manuela.
Esta obra Eu Poético já está publicada?
Beijinhos
~~~~~

Mariazita disse...

Brilhante soneto, querida Manuela.
Gostei imenso da conversa da "gota vadia".
Dias felizes, sem vento e chuva a ensombrar as estrelas, te desejo.

Continuação de boa semana.
Beijinhos
MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

Maria Rodrigues disse...

Um poema sublime!!!
Bom fim de semana
Beijinhos
Maria de
Divagar Sobre Tudo um Pouco

Graça Pires disse...

Decifrar a ventania. Ouvir a chuva. E deixar que a noite redima todas as culpas... Gostei muito, Manuela.
Uma boa semana.
Um beijo.

Jaime Portela disse...

Na hipocrisia, a luz desaparece nas sombras...
Excelente soneto, gostei imenso.
Boa semana, querida amiga Manuela.
Beijo.

Rui Pires - Olhar d'Ouro disse...

Maravilhoso cara amiga Manuela!
Bj e bom resto de semana.

Odete Ferreira disse...

Um excelente soneto em termos de conteúdo e forma, no qual relevo o último terceto pela mensagem que quiseste deixar, aproveitando, muito bem, a semântica da luz.
Bj, amiga

Ana Freire disse...

Noites haverá... que nos aclaram as ideias... e aliviam das mágoas...
Como sempre, um trabalho notável, Manuela!
Adorei cada palavra! Beijinho! Bom domingo!
Ana

Teresa Almeida disse...

Olá, querida, Manuela!
Deixei-me envolver no teu belo soneto e - apesar da lama, da revolta e da insegurança - vislumbro, nas tuas palavras, o brilho das estrelas.

Beijinho, amiga.

Marli Terezinha Andrucho Boldori disse...

Boa tarde, Manuela, e a natureza faz companhia belíssima em seu soneto.
Sou pinga de água doce, que bela comparação, tanta
metáfora bem escolhida, tantas figuras de linguagem que dão riqueza ao
soneto,a janela que olha para mim, lindo! Abraço!

Agostinho disse...

Versos agitados ao vento
numa leve oscilação, quase imperceptível.
Talvez o efeito natural da gravidade terrena nas gotas
doces ou salgadas
que por vezes que nos caem.
Se resistirmos à tentação de ver,
se cerrarmos os olhos
guardamos estrelas a brilhar.

Bj.