SEGUIDORES

domingo, 9 de abril de 2017

Sopra...




Sopra agudo
um vento de leste.
Saltam as agulhas acesas
dos pinheiros mansos
costurando a música dos pardais e das gaivotas.
Correm cordeiros no mar ,
na lã branca de espuma.

No convés  da erva orvalhada,
foguetes de pegas azuis,
coloridas,
alegres,  
sadias.

Atormentam-se as nuvens.

Algures,
o porão da inconsciência dos homens,
cospe foguetes de gás
fundindo-se
com os escombros  acesos do silêncio.
Pétalas
caem nos braços exauridos,
já murchas,
sem cor,
sem espaço,
sem vida.

Onde já não existem pegas azuis.


Manuela Barroso









11 comentários:

Emília Pinto disse...

Longe, mas perto em pensamento,com dias coloridos, alegres e tantos outros mais escurecidos, aqui estou para te deixar um beijinho e desejar-te uma Santa Páscoa junto de todos os que amas. Felizmente está a correr tudo bem com os meus pais e, no principio de Maio já voltarei a Portugal e o Começar de Novo voltará à normalidade. Um forte abraço, querida Manuela e os meus sinceros votos de que todos aí estejam bem, com saúde e muita alegria.
Emilia

Graça Pires disse...

Olá Manuela!
Um poema inquietante, este, que nos alerta para uma realidade tão triste e tão perversa... Gostei imenso.
Uma boa semana, minha Amiga.
Um beijo.

Ana Bailune disse...

E você ainda conseguiu arrancar a beleza disso tudo.

Acho que os poetas são necessários.

Feliz Páscoa.

Manuel Veiga disse...

inquietante e dramático!

e, no entanto, tão belo!

Agostinho disse...

Uma poesia que toca na ferida.
E não há remédio que imunize a humanidade da ganância do tráfico?
Não há raticida que destrua
a insensibilidade e interesses estabelecidos?

Odete Ferreira disse...

Para lá das pegas azuis, estão, no poema, todas as dores de que o mundo enferma.
Até quando soprará "agudo um vento de leste"?
Lemos e emudecemos. Pela beleza poética e pelas feridas abertas...
Bjo, Manuela

Toninho disse...

Perfeita explosão da inquieta desagregação que impera e dilacera.
Só e somente só com tamanha sensibilidade para dar cor e beleza a
sentimentos tão cinzas.
Bravo Manuela, aplaudo.
Abraços com carinho.

Emília Pinto disse...

Querida Manuela, tenho a impressão que já tinha vindo cá, mas, como tive uma falha na net, pode ter acontecido de não ter ficado nada aqui. Não podia deixar passar esta data que se aproxima sem vir cá deixar- te um beijinho e os meus sincero votos de que tenha uma santa Páscoa, com saúde e muita alegria junto dos que tanto amas. Por aqui está tudo bem e em Maio já estarei de volta para mais um começar de novo, diferente, mas também muito bom; já esto com saudades dos que aí deixei e depois, claro, saudades dos que aqui deixo, Assim é a vida...feita de instantes, uns a terminarem e logo outros a começarem. Tudo de bom para todos, querida Manuela.
Emilia

Ana Freire disse...

E o homem com a sua acção devastadora... e com o seu poder de aniquilar tudo à sua volta... até o seu semelhante...
Um poema muito belo, lúcido e bem na ordem do dia...
Adorei ler, Manuela!
Beijinho! Continuação de uma boa semana
Ana

Existe Sempre Um Lugar disse...

Boa tarde, o poema traduz a realidade da vida, é lindo e perfeito.
Votos de Páscoa repleta de alegria! Feliz Páscoa!
AG

Jaime Portela disse...

Os ventos sopram cada vez menos favoráveis...
Excelente poema, como é teu timbre, aliás. Gostei imenso.
Votos de uma Páscoa Feliz, extensivos à família, amiga Manuela.
Beijo.