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quinta-feira, 20 de abril de 2017

Liberdade



 podia deambular
com as borboletas
que sobem  a saliva do pólen

podia inventar mensagens
que escondem segredos
no sussurro trémulo da aragem

o diálogo perde-se
na boca turva das dúvidas
transpirando incertezas

onde moras liberdade?

és surpreendida pelo bolor
dos sorrisos bafientos
rasgando-se nos mofos
de bocas sem memória
definhando  falsidade
vazias, sem história

só lama e lodo
na trajetória

Manuela Barroso  ” Laços- Dueto” – Editora Ediserv-2014



10 comentários:

Jaime Portela disse...

Infelizmente, assim é, "só lama e lodo"...
Um poema inquietante, mas excelente.
Gostei muito.
Bom fim de semana, amiga Manuela.
Beijo.

Odete Ferreira disse...

Quando "só lama e lodo na trajétoria se sente", até a perceção e captação do belo nos constrange. Mas é precisamente nesses momentos que a liberdade de expressão e a de elevar a voz faz todo o sentido.
Um belo grito poético!
Bjo, Manuela

Majo Dutra disse...

Uma mensagem chocante, mas verídica.
Excelente poema de intervenção.
Beijo, Manuela.
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Manuel Veiga disse...

Liberdade, flor delicada
que requer ser cuidada todos os dias...

que cada gesto seja um hino à Liberdade!

gostei muito,

beijo; Manuela

Maria Rodrigues disse...

Palavras fortes e tão verdadeiras, um poema brilhante.
Beijinhos
Maria

Kleitman Castro disse...

Assim seja. E assim então será.

Ana Freire disse...

Um belíssimo poema... bem a propósito, neste mês de Abril... e em que amanhã se comemora o dia da liberdade... ainda que tão relativa... em tantos aspectos...
Um poema lúcido e muito assertivo, Manuela!...
Beijinho! Feliz semana!
Ana

Graça Pires disse...

Magnífico e intenso poema, Manuela! "Onde moras liberdade?"
"Liberdade que estás em mim, santificado seja o vosso nome", disse Miguel Torga.
Uma boa semana, minha Amiga.
Um beijo.

Teresa Almeida disse...

A luta pela liberdade em poesia de logro e frustração. Sabes manejar as palavras, amiga.
E Abril mora no teu coração.

Beijinho.

Agostinho disse...

A Liberdade, com maiúscula, não se decreta, faz-se em cada um, por cada um de nós. Não se espere pois que os outros subam acima da lama para irmos atrás.
A Poeta denuncia a hipocrisia da sociedade de aparências que teima em inquinar a vida das pessoas.

Não quero ir sem deixar de manifestar-me face à simpatia que me dispensou no blogue do Manuel Veiga: obrigado.