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sábado, 19 de novembro de 2016

As Folhas caem


 Vladimir Kush

Sabes , amado,
As folhas caem e levam com elas o sono da hibernação. É  tempo do tempo de me soltar das amarras que me prendem ao fogo da vida. Minha alma está sedenta de adormecer no teu colo. Preciso do embalo da brisa, do aconchego das nuvens. Tudo é tão belo mas também tão impiedoso. Na música ouço a voz a tua paz, na linguagem das folhas amarelecidas que se acamam com o sol morno na carícia doce do outono.
Páro.
Sinto agora que me falas no balancear das folhas ainda  aqui verdes , que plantaste para mim. E através delas tudo me balbucia da Unicidade de que sou parte. E deste monólogo que só esta folha branca aceita, de novo paro e olho através da vidraça. E sorrio: pelo sol meigo que beija os meus olhos, pela dança das folhas que fazem sorrir a minha alma, pelo azul, tão azul com que vestes  o meu sorriso.
E decidi que hoje será mais um dia de festa, que eu, nesta ignorância de ti, não sabia que era a surpresa que me reservavas.

                                 Manuela Barroso


sábado, 12 de novembro de 2016

Mãe-100 anos


SÃO 100 ANOS, QUERIDA MÃE!



Mãe!.
Neste dia
pudera vestir-te de estrelas
e  no teu manto  de céu  
com teus 100 anos de vida
serias do cometa a mais bela
coberta com o seu véu
alma minha ,
minha mãe
meu tesouro
meu troféu!

Pudera vestir-te de tempo
e nos confins do Universo  
serias em mim o infinito
Campo Zero firmamento

Mas és tão só minha mãe
que em seu ventre gerou
a mais humilde criatura
que o Céu te confiou!

Manuela Barroso,
12 nov 2016


sábado, 5 de novembro de 2016

Quase

 Vladimir Kush
Quase dia.

O jardim anoiteceu e com ele as gotas
nas nervuras dos olhos.
Ilhas de bancos numa solidão invisível.

Pousam sombras
nas asas nocturnas de melros amarelos.
Uma seda de magnólia tardia
voa
perde-se
tece-se em arabescos
fenece.

No ventre das tábuas solitárias
sentam-se memórias
no musgo abandonado do silêncio.


Manuela Barroso