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domingo, 24 de janeiro de 2016

Trago





Trago nos olhos a alegria da tarde.
Florescem violinos no silêncio harmonioso dos teus lábios
recortados pela suavidade da melodia.
Enfeito os cabelos de orvalho com grinaldas de glicínias
e atravesso densos juncais à procura do fogo do crepúsculo
consumindo-se na noite.
Quero a mão das estrelas sem lua.
Noite com velas.
Disperso-me na escuridão e quero o voo plano da águia
com saudade das alturas contornando o assombro dos abismos.

Manuela Barroso, "Eu Poético"




sábado, 9 de janeiro de 2016

Na palma





 Vladimir K.
  
Na palma aberta do limbo
caem grossas gotas de chuva,
escorregando,
soltando-se 
em para-quedas
na submissão da terra.

uma e outra gota cai,
desprende-se,
flutuando
na submissão dos charcos.

cai uma outra  
descendo
na face rosada do Homem :
logo a desfaz,
esmagando-a na escama e na pele
antes que chegue aos ossos da Terra.

e o limbo se pergunta quem erra.



Manuela Barroso- Eu Poético VII