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quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Quando









Quando te roubarem o sol da boca
 e escurecer a água da memória,
 mantem o olhar na dança dos limos
que na transparência da corrente,
não revelam
 nem melancolia,
nem rotina,
nem a sua aparente fragilidade.
Entre os seixos  eles acariciam as cataratas,
libertam a delicadeza da cor
e permanecem na alegria
do ímpeto da espuma nas fragas.

 Que não amoleçam as folhas.
Mesmo que as tragas.
                                                  

                                            Manuela Barroso
                                                       

                                                        

14 comentários:

Gracita disse...

Grande poetisa
Tu versejas com uma paixão tão envolvente que somos abduzidos pela magia que perpassa esse exuberante lirismo
Quando algo não for bem é preciso aprender a contornar os obstáculos
Soberbo minha amiga
Beijos com ternura

Emília Pinto disse...

Vivemos o nosso instante que pode, a qualquer instante , ser o nosso último instante; estamos cientes disso desde há muito, ou pelo menos deveriamos estar. Mas, quando chega essa despedida definitiva para alguém próximo, nunca estamos preparados.Aos poucos vamo-nos dando conta da nossa " fragilidade " " quando nos roubam o sol e a nossa memória escurece, dançando nela imagens sombreadas, umas vezes parecendo que se querem esconder,outras surgindo com mais cor, deixando que uma leve alegria substitua a luz do sol fugidio. Quando se instala essa alegria, na melacolia dos dias, na rotina dos momentos, parece haver estrelas dançando nos olhos quase sempre " amolecidos" pelas lágrimas que já há muito desistiram de correr rosto abaixo. Quando acontece essa dança, esse brilho nos olhos, o instante é menor que um instante...a luz se apaga, a memória volta a escurecer e de repente...apatia, rotina, melancolia revelam-se; talvez a rotina nem ouse aparecer...junto com o sol foi também essa noção de um instante seguindo o outro, numa sequência que tantas vezes desagradava; agora...bem... é só um triste momento, esperando aquele instante de ultima despedida. Triste...mas, pelo menos também esse significado se escureceu e , assim, brilhos nos olhos voltarão por mais instantâneos que sejam. Mais uma vez, amiga, fizeste-me pensar na fragilidade de todos nós e, como deves imaginar , no sol que " roubaram " da rotina melancólica de alguem que muito amo. Hoje, apesar do sol que muito brilha do outro lado, a memoria escureceu...as imagens iam e vinham numa dança onde os passos se baralhavam numa grande confusão. Quando entenderemos tudo isto? Quando aceitaremos? Muitas perguntas, muitos " quandos", muita preparação a fazer! Amiga, muito obrigada e que o sol brilhe no teu coração, mesmo quando teima em não aparecer. Um beijinho
Emilia

Odete Ferreira disse...

Olá, amiga: com muito pouco tempo para a net, tenho aproveitado uns bocadinhos, sobretudo pelo TM, para ir fazendo umas visitas. Aqui há dias, vim à tua página para retomar as leituras e, salvo erro, reiniciei a partir do último poema comentado. Pretendo continuar mas, hoje, como abri o blogue pelo pc, vi a notificação deste poema. Chamou-me logo a atenção o título, pois escrevi, há uns dias, um que iniciei por "Quando", pensando no meu neto que nasce brevemente e que publicarei mais perto do Natal.
Este teu "Quando" é torrente que vence qualquer obstáculo, é a força de vida que, perante a adversidade, nos impulsa para seguir em frente, numa moldura metafórica muito bem talhada. Que não (te) amoleçam, as palavras!
Bjo, Manuela :)

Isa Sá disse...

Temos que ir sempre em busca da força num recanto qualquer...


Isabel Sá
Brilhos da Moda

Majo Dutra disse...

Apreciei sobremaneira a delicada sensibilidade
de quem canta a força dos aparentemente débeis
limos, afinal tão resilientes!
Um poema com uma imagética muito agradável.
Desejando que se encontre já recuperada,
desejo-lhe dias de advento muito felizes.
~~~ Abraço, Manuela ~~~

Maria Rodrigues disse...

Belíssimo poema
Beijinhos
Maria

Emília Pinto disse...

Querida Manuela, tenho a certeza que no dia 8, em casa, sozinha e confortavemente sentada no sofá junto à lareira, comentei este teu poema, até com um pouco de nostalgia, já que enveredei pelos caminhos da memória, parte dela escurecida por terem roubado o sol a almas que adoro e a quem nem sempre posso dar alguma da minha luz.mas esse meu " desabafo" posso chamar-lhe isso, não aparece. Tenho a certeza que o fiz, mas já não tenho a mesma certeza na publicação. Tenho usado o tablet, pela facilidade em ficar, confortavelmente, junto
da lareira, mas....as chances de fazer asneiras são muito maiores. Amiga, ficarei com pena se isso tiver acontecido, porque o que me saiu do coração ao ler-te, dificilmente sairá de novo. Mas, não importa, li, refleti e desabafei; fiquei mais leve, mais serena. Um beijinho e boa noite. Obrigada!
Emilia

Acordar Sonhando . SOL da Esteva disse...

"Quando" o tempo passar, não é o fim. Outras "folhas" terão escrita uma História bela e sublime, que irá lembrar os demais, "quando" a memória enfraquecer.


Beijo
SOL

Elvira Carvalho disse...

Excelente poema.
Um abraço e uma boa semana

Rui Pires - Olhar d'Ouro disse...

Sempre a encantar com a sua delicadeza de poetizar!
Uma boa semana.
Abraço

© Piedade Araújo Sol disse...

a sensibilidade à flor da pele ...

muito belo, amiga

beijinho

:)

Aleatoriamente disse...

Deusa da poesia, tens o dom divino.
Encantas...
EAT

Jaime Portela disse...

Mas não é nada fácil "manter o olhar na dança dos limos quando roubarem o sol da boca"...
Excelente poema, como é teu hábito.
Tem um bom fim de semana e um FELIZ NATAL, querida amiga Manuela.
Beijo.

Ana Freire disse...

Beleza, delicadeza, e sensibilidade, em estado puro, Manuela!...
Mais um precioso poema, para apreciar e reapreciar...
Lindíssima inspiração!
Beijinhos!
Ana