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sábado, 19 de novembro de 2016

As Folhas caem


 Vladimir Kush

Sabes , amado,
As folhas caem e levam com elas o sono da hibernação. É  tempo do tempo de me soltar das amarras que me prendem ao fogo da vida. Minha alma está sedenta de adormecer no teu colo. Preciso do embalo da brisa, do aconchego das nuvens. Tudo é tão belo mas também tão impiedoso. Na música ouço a voz a tua paz, na linguagem das folhas amarelecidas que se acamam com o sol morno na carícia doce do outono.
Páro.
Sinto agora que me falas no balancear das folhas ainda  aqui verdes , que plantaste para mim. E através delas tudo me balbucia da Unicidade de que sou parte. E deste monólogo que só esta folha branca aceita, de novo paro e olho através da vidraça. E sorrio: pelo sol meigo que beija os meus olhos, pela dança das folhas que fazem sorrir a minha alma, pelo azul, tão azul com que vestes  o meu sorriso.
E decidi que hoje será mais um dia de festa, que eu, nesta ignorância de ti, não sabia que era a surpresa que me reservavas.

                                 Manuela Barroso


22 comentários:

Mar Arável disse...

Uma ternura
Bj

Roselia Bezerra disse...

'Tudo é tão belo mas também tão impiedoso'...
Algo mais do que verdadeiro, querida Manuela...
Assim é!
Lind odemais!
Bjm muito fraterno

A Nossa Travessa disse...

Querida Manuelamiga

Em tão poucas linhas traças um sentimento, uma loucura bela, uma efusão, uma dolência que nos levam a viver o poema como se o tivéssemos agarrado à pele indissociável, impossível, indefinível, enfim pleno de amor. Gostei. Gostei muito

======================= ATENÇÃO =============================

NA NOSSA TRAVESSA
UM FUNERAL Á MANEIRA
Publico hoje mais um artigo – o quarto – da SAGA DA ALZIRA com o título acima. Convido todas/os à sua leitura e comentários. Obrigado.
Agradeço igualmente a divulgação desta informação.
Henrique, o Leãozão


Bob Bushell disse...

Marvelous.

Ana Freire disse...

Um hino à vida... e à aceitação de coisas menos boas... que se dissipam... na apreciação de grandes prazeres... que só as pequenas coisas nos proporcionam...
Um texto maravilhoso, pleno de ternura e sensibilidade, Manuela!
Adorei cada palavra!
Beijinhos! Boa semana!
Ana

Toninho disse...

Que ternura maravilhosa Manuela, sentir este sol a oscular os teus olhos.
Muito lindo o Outono nos seus olhos poesia.
Abraços com carinho.
Uma linda semana para voce.
Bjs paz amiga.

Majo Dutra disse...

~~~
Belíssimo!
Que seja um idílio aconchegante, respeitando a renovação da natureza...
Uma semana deliciosamente poética.
Abraço, terna Manuela.
~~~~~~~~~~~~~~~~

Emília Pinto disse...

E " as folhas caem", dançando ao sabor do vento, numa despedida; despedem-se de um tempo, mas alegres; cumpriram a sua função e sabem que terāo outros momentos, noutras fases, noutros tempos; nem sempre foram de festa os dias das folhas...ventos impiedosos sopraram, tempestades surgiram raivosas , tirando-lhes a serenidade, soltando-lhes as " amarras que as prendiam ao tronco da vida". Mas, agora sobre o chão das calçadas, sobre a relva dos jardins, começando a amarelecer neste seu novo momento, sabem que a tempestada dará lugar à bonança, que a Primavera chegará e que o agora amarelo se transformará de novo naquele lindo verde de esperança; será tempo de " festa" novamente, mas....por que não já hoje? Sim, festa hoje também, mas diferente; não há instantes iguais, dias iguais e as " festas " iguais também não podem ser. Este instante, Manuela, foi uma " festa" de poesia, nostalgica, mas
bela. Obrigada por teres permitido que dela participasse. Um beijinho de grande amizade
Emilia

Rui Pires - Olhar d'Ouro disse...

Simplesmente maravilhoso. Um deleite em modo outonal!
Abraço

Elvira Carvalho disse...

Uma prosa lindíssima, eivada de poesia.
Adorei.
Um abraço

Maria Rodrigues disse...

Uma carta plena de saudade e amor.
Simplesmente maravilhoso.
Beijinhos
Maria

Majo Dutra disse...

Estava persuadida que já tinha comentado este belíssimo texto,
mas deve ter acontecido o mesmo que se passou há cerca de 30 minutos,
perdi o comentário sem hipótese de recuperação...

Majo Dutra disse...

Então, o meu comentário transacto, desta vez, passou.

Realço no texto a delicada sensibilidade poética que tributa
a natureza, o amor e o verbo...

Desejo-lhe completo restabelecimento e dias brilhantes e felizes.
~~~ Terno abraço ~~~

Aleatoriamente disse...

Tão rico em poesia, tão belo teu interior.
Ao ler-te imagino-me olhando a suavidade de teus olhos e a doçura que carregas no coração. Meu amor quando eu crescer quero ser igual a ti. Sou tua fã poetisa tão querida.

A Nossa Travessa disse...

Querida Manelamiga

Volto à estacada; sou chato...

A VELHA E O CÃO
Uma pausa na Saga da Alzira porque acabo de publicar um post diferente – sem ironia, sem galhofa, a atirar para o drama. Por isso, gostaria dos comentários naturalmente também diferentes. Muito obrigado. Como habitualmente a publicação é anunciada blogue a blogue; e o pedido de divulgação, também se agradece.
Qjs e/ou abçs Henrique, o Leãozão

Olinda Melo disse...


Cara Manuela

Que dizer deste belo texto poético? Tão depressa me dá a sensação de que há aqui um desejo de se reunir ao Amado que se encontra noutra dimensão, como me parece que há um descida, há outros motivos que se perfilam convencendo a Alma poética a repensar e a bafejar-nos com a sua presença neste vale de lágrimas. E então, tudo se transforma e há festa, uma surpresa plena de alegria, amor e sensibilidade.

O que sei dizer é que fiquei presa nas linhas, entrelinhas e magia criadas pelo seu talento.

Beijinhos

Olinda

rosa-branca disse...

Maravilhoso como sempre. Não me canso de ler seus poemas. Amiga Manuela tenha uma boa semana e beijos com carinho

Maria Rodrigues disse...

Manuela passei para deixar um abraço
MAria

A Nossa Travessa disse...

DINAMITE, ASSALTO E DENTADURA

Nova postagem na NOSSA TRAVESSA sob o título acima indicado. É mais um episódio da SAGA DA ALZIRA e fica desde já o convite para uma visita e um comentário. Muito obrigado. A divulgação urbi et orbi também se agradece.
Qjs & abçs – Henrique, o Leãozão

Ailime disse...

Boa noite Manuela,
Que texto poético tão belo!
Uma linda ode ao outono que nos brindou com dias maravilhosos.
Assim deve ser a vida: saborear cada momento a cada dia que passa e deixar que o espanto nos ilumine o olhar.
Um beijinho.
Ailime

Odete Ferreira disse...

Belo, com aquele travo a perdição poética, voando entre as palavras, procurando-lhes o sentido e o rumo... Gosto muito deste caminho.
Bjo, Manuela :)

Odete Ferreira disse...

Ah, também gosto muito do pintor, escolho bastantes obras dele para ilustrar escritos.