PARTIRAM-SE os galhos que subiam
pelo tronco da tua
estátua.
Agora permaneces deitada
no molho feito cama dos teus ossos
e apercebes-te da fragilidade da tua pele
antes florida.
Quando voltares a ver os ninhos das formigas,
rogarás para que volte
a monotonia monocórdica e incómoda dos pardais,
ralhando em alvoroço com as telhas,
num eterno cântico à vida.
Manuela Barroso
Outubro, 2016
9 comentários:
Toda partida deixa um rastro de saudade e um vazio imenso
Soberba composição poética comadre
Uma linda semana ricamente abençoada minha doce amiga
Beijos doces e um punhado de sorrisos
Boa noite, querida Manuela!
A insatisfação é pertinente a todos humanos...
Bjm muito fraterno
E na "monocórdica monotonia " do seu rodar sereno e constante continua a vida, sem se perturbar com os alvoroços dos pardais, dos estrondos dos trovões, rugios de ventanias, gritos ou gargalhadas, alegrias e tristezas nossas. Nem sempre temos o poder de escolha, como é dito; a vida escolhe por nós em muitos casos amiga! Quantas vezes escolhemos um caminho e de repente encontramos um tronco nele atravessado que nos provoca uma valente queda?
Por vezes basta que nos levantemos e mudemos o rumo, mas noutras o tombo é tão grande que não há força animica para reagirmos; terá de ser de novo a vida a olhar para nós com mais carinho, permitindo-nos a capacidade de seguir em frente afastando o tronco ou simplesmente passando por cima. Mas...a roda continua a girar , troncos continuarão
a partir-se, continuarão a impedir o caminho por nós escolhido, mas, naquele "eterno cântico à vida " outros os substituirão, numa constante renovação. E na nossa fragilidade, continuaremos a cair, a levantar, a mudar de caminho uma vez e outra, E o que te posso desejar, querida amiga, é que não encontres muitos obstáculos no teu caminho e, se os encontrares, que sejas capaz de os ultrapassar com coragem.
Percebi em algum blog que a tua saúde sofreu uma pequena alteração; se assim é, desejo que melhores
rapidamente. Muito obrigada pelo belo momento de poesia e uma boa semana, de preferência já restablecida
Um beijinho
Emilia
O poema está muito belo, expressivo e sentido.
Sempre é bom escutarmos os pardais,
ainda que excitados ou zangados,
Dias serenos e revigorantes.
Beijinho, Manuela.
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Perfeita e bonita tradução da devastação.
Figuras do árido, do seco que assombra.
Belo trabalho amiga.
Meu abraço e boa semana.
A vida merece cânticos, odes e serenatas.
belo!
beijo
Muito belo... quanta sensibilidade nessa maravilhosa conjugação de palavras cara Manuela!
Abraço
Uma estátua que renascerá revigorada e plena de beleza,
transformando-se os galhos em lindas asas.
Querida Manuela, desejo que esteja já recuperada e pronta
para apreciar a natureza em longos e saborosos passeios.
Bom fim de semana.
Bj
Olinda
A Natureza e os seus permanentes recomeços... inspirando sempre esperança... a quem a sabe compreender...
Mais um poema muito belo, Manuela! Belíssima inspiração!
Beijinhos
Ana
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