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segunda-feira, 23 de março de 2015

Na planície...



 Na planície verde dos sonhos, as águas correm
com a placidez dos dias esquecidos
É a única voz que perfuma o pão desta fome de silêncio

Contorno as margens dos sapais e colho hastes de alegria
no bailado leve das ervas
Prendo-me ao chão, escutando as súplicas das rãs
no murmúrio da linguagem que salta da pele plana
e quieta dos charcos
Sigo o vaguear inquieto das libélulas arrastando consigo
o sono dos nenúfares

Quero vingar-me deste lugar abrigado da noite 
que me oculta a dança suave dos reflexos dos olhos da lua,
sacudir este sal que fulmina os sabores das manhãs quentes e quietas
e agonizar com a felicidade do declínio das tarde limpas
com lumes no horizonte.

Regressarei ao meu vale azul
e pernoitarei com  as asas das estrelas.

Manuela Barroso, "Eu Poético"